Institucional
Roda de conversa
A UNILA realiza uma roda de conversa com a escritora, socióloga e educadora popular Moema Viezzer nesta quarta-feira (16), às 14h, no Auditório Lélia Gonzalez (Campus Integração). A atividade terá como tema o acervo, a memória e o legado intelectual do pesquisador Marcelo Grondin, no ano de seu centenário de nascimento.
Durante o encontro, também será apresentada uma proposta de publicação de “Tupaj Katari y la revolución campesina: 1781–1783”, obra na qual Grondin analisa a insurreição indígena e camponesa ocorrida no Alto Peru, atual Bolívia, no final do século 18. Publicada originalmente na década de 1970, a pesquisa também circulou no Brasil em versão intitulada “A rebelião camponesa na Bolívia”, lançada pela Editora Brasiliense, em 1984, na coleção “Tudo é História”. A nova publicação recupera uma obra importante para a compreensão da organização comunitária, das estruturas coloniais e das formas de resistência indígena nos Andes.
A presença de Moema Viezzer permitirá ao público conhecer a constituição e a preservação do acervo de Grondin, as circunstâncias de produção de suas obras e sua convivência com movimentos sociais, comunidades e instituições de diferentes países. O evento também pretende discutir possibilidades de pesquisa, organização documental e circulação desse patrimônio intelectual.
Aberta à comunidade acadêmica e ao público externo, a roda de conversa recebe inscrições via SIGEventos. A atividade é uma realização do Instituto Latino-Americano de Economia, Sociedade e Política (ILAESP), da Biblioteca Latino-Americana (BIUNILA), da Editora da UNILA (EDUNILA), do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos (PPGIELA) e do Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América-Latina (PPGICAL).
Sobre Marcelo Grondin
Nascido no Canadá, Marcelo Grondin construiu sua trajetória intelectual e profissional em diferentes países da América Latina. Doutor em Ciências Sociais e mestre em Economia do Desenvolvimento, atuou como professor, pesquisador e consultor em projetos sociais e econômicos. Lecionou em instituições do Canadá, México, Haiti e Brasil e exerceu, durante três anos, a função de diretor de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Falava nove idiomas e dedicou parte de suas pesquisas à Bolívia, ao Haiti, aos povos originários, às línguas indígenas e à formação histórica do Oeste do Paraná. A Unioeste mantém um projeto audiovisual que registra aspectos de sua trajetória e produção intelectual.
Grondin faleceu em setembro de 2025, aos 99 anos. Sua produção reúne pesquisas sobre processos históricos, políticos, linguísticos e socioeconômicos latino-americanos. Entre seus livros estão “Haiti: cultura, poder e desenvolvimento”, “A rebelião camponesa na Bolívia” e “O alvorecer de Toledo: na colonização do Oeste do Paraná, 1946–1949”. Em parceria com Moema Viezzer, publicou, ainda, “Abya Yala!: genocídio, resistência e sobrevivência dos povos originários das Américas”.
Sobre Moema Viezzer
Escritora, socióloga, educadora popular e militante feminista e ambiental, Moema Viezzer é fundadora da Rede Mulher de Educação e desenvolveu trabalhos de educação popular no Brasil e em outros países da América Latina. Ela é autora de “Se me deixam falar...”, obra construída a partir do relato da líder mineira boliviana Domitila Barrios de Chungara e traduzida para diversos idiomas. Em 2007, recebeu o Diploma Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal, e integrou a iniciativa internacional que indicou mil mulheres ao Prêmio Nobel da Paz.
Moema mantém uma relação de longa data com a UNILA. Em 2018, proferiu a aula inaugural da Universidade, dedicada ao tema “A aprendizagem transformadora e a formação acadêmica”. Já em 2025, tornou-se a primeira pessoa a receber o título de Doutora Honoris Causa da UNILA, em reconhecimento à sua atuação na educação popular, nos direitos das mulheres, na defesa ambiental e na construção de conhecimentos comprometidos com os povos latino-americanos.