Área de Concentração e Linhas de Pesquisa
Área de Concentração
Área de Concentración
CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA
CULTURA Y SOCIEDAD EN AMÉRICA LATINA
Estudos interdisciplinares a partir do diálogo entre as áreas de Letras, Artes, História, Antropologia e disciplinas afins com objetivo de contribuir para a compreensão dos processos de produção e circulação dos saberes tendo em vista as mobilidades sociais e culturais na América Latina. O programa visa reunir em diferentes suportes registros materiais referentes à memória coletiva e à história; analisar processos de circulação nos campos social, político e cultural com vistas a um questionamento das categorias e fundamentos que, tradicionalmente, constituíram os campos do saber; compreender práticas sociais que envolvam redes de memória e seus eventuais processos de transformação, fragmentação e descontinuidade.
Estudios interdisciplinarios a partir del diálogo entre las áreas de Letras, Artes, Historia, Antropología y disciplinas afines con el objetivo de contribuir a la comprensión de los procesos de producción y circulación del conocimiento ante la movilidad social y cultural en América Latina. El programa tiene como objetivo recopilar registros materiales referentes a la memoria e historia colectiva en diferentes medios; analizar los procesos de circulación en los campos social, político y cultural con miras a cuestionar las categorías y fundamentos que tradicionalmente constituyeron los campos del conocimiento; comprender las prácticas sociales que involucran redes de memoria y sus eventuales procesos de transformación, fragmentación y discontinuidad.
Linhas de Pesquisa
Líneas de Investigación
Linha 1 — Estéticas, linguagens e narrativas na América Latina
Problema central: Como os processos de produção, circulação, recepção, tradução, mediação e arquivamento de linguagens, narrativas, estéticas e expressões artísticas e midiáticas (literárias, cinematográficas, audiovisuais, musicais, cênicas e digitais) configuram campos de ressignificação e disputa na produção de saberes, imaginários, memórias e experiências sociais e históricas na América Latina e no Caribe, e que tensões, silenciamentos e insurgências deles decorrem?
Esta linha investiga os modos pelos quais diferentes linguagens, expressões artísticas e estéticas e mediações culturais — tanto as línguas em seu funcionamento social, político e em contato, quanto as expressões estéticas em sentido amplo, do literário ao cinematográfico, do musical ao teatral, do tradutório ao digital — constituem espaços de disputa de produção cultural, e de elaboração de memória, experiência social e histórica na América Latina e no Caribe.
A linha acolhe pesquisas interdisciplinares sobre expressões cinematográficas, cênicas, digitais, literárias, sonoras, tradutórias e visuais, considerando suas condições de produção, circulação, performance, recepção, tradução, mediação, arquivo e transformação. O caráter interdisciplinar desta linha articula abordagens e metodologias estéticas, linguísticas e formais com perspectivas histórico-sociais, integrando de maneira sistemática as expressões artísticas e linguísticas aos processos de produção e circulação do conhecimento. Assim, a linha acolhe abordagens que articulam análise estética, discursiva, linguística e semiótica a perspectivas históricas, sociais, políticas e culturais, compreendendo as linguagens e as artes não apenas como formas de representação, mas também como modos de construção de memória, produção de conhecimento e intervenção no mundo social. Nesse sentido, interessam as práticas de artivismo e de arte-educação como modalidades situadas de mediação cultural, contestação simbólica e transformação coletiva, bem como os processos de mediação cultural em contextos urbanos, institucionais, educacionais, comunicacionais e digitais e as disputas narrativas e simbólicas que conformam imaginários, identidades e formas de pertencimento.
Inclui, entre outros:
- Literatura, cinema, audiovisual, música, dança, teatro, artes visuais, oralidades, com atenção a processos de produção, circulação, performance, recepção, tradução, mediação, arquivo e transformação.
- Estudos da tradução em suas dimensões teórica, descritiva e aplicada; tradução como prática cultural e política.
- Arquivos, memórias, testemunhos, traumas históricos e elaboração do passado por meio de produtos e práticas artísticas.
- Linguística e linguística aplicada em suas interfaces com cultura, identidade e contextos socioculturais.
- Cultura digital, plataformas e impactos das tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial, sobre as práticas culturais e artísticas.
- Práticas artísticas e linguísticas em espaços institucionais e educativos.
- Práticas de artivismo e arte-educação.
Critério de vinculação: Vinculam-se prioritariamente a esta linha os projetos cujo problema central recaia sobre linguagens, narrativas, estéticas, expressões artísticas, tradução, mídias, memória, produção simbólica e circulação cultural.
Linha 2 — Práticas, saberes e pedagogias indígenas, afrodiaspóricas e comunitárias na América Latina
Problema central: De que modos saberes, práticas, pedagogias e cosmologias indígenas, afrodiaspóricas e comunitárias se produzem, transmitem e legitimam — em confronto, tensão e diálogo com saberes e práticas historicamente hegemônicos — a partir de territórios, oralidades e formas de organização coletiva na América Latina e no Caribe?
Esta linha parte do reconhecimento de que a universidade latino-americana e caribenha foi construída sob o signo de uma dupla exclusão: a exclusão étnico-racial e a exclusão epistêmica. Essas exclusões não operam de forma isolada, mas se articulam com outras hierarquias de gênero, sexualidade, classe e território, produzindo experiências diferenciadas de silenciamento e apagamento. As tradições de conhecimento das comunidades indígenas, negras, quilombolas, entre outras comunidades, territórios e movimentos sociais, foram sistematicamente apagadas dos currículos acadêmicos, e os mestres e mestras dessas tradições, igualmente silenciados. Assim, diferentemente de uma prática acadêmica que adota esses saberes como objetos de análise externa, esta linha promove pesquisas que se desenvolvem em diálogo com sujeitos, coletivos e comunidades como produtores legítimos de conhecimento.
Nesse sentido, interessam pesquisas relacionadas a saberes, produção e transmissão de conhecimento, modos de vida, produções culturais, práticas sociais, e processos educativos elaborados por sujeitos, coletivos e comunidades cujas experiências históricas e territoriais desafiam as hierarquias epistêmicas coloniais e modernas, em um processo de encontro, tensão e diálogo entre saberes historicamente excluídos e saberes historicamente hegemônicos.
A linha acolhe investigações com comunidades indígenas e afrodiaspóricas, realizadas a partir de seus próprios referenciais e práticas, valorizando suas línguas, cosmologias, narrativas, tecnologias, epistemologias, patrimônio vivo, expressões culturais e artísticas, rituais, práticas comunitárias de cuidado e pedagogias próprias. Igualmente, incluem-se pesquisas em educação intercultural, educação popular, educação indígena, educação quilombola, educação para as relações étnico-raciais, e outros processos educativos formais e não formais. Essas experiências são compreendidas a partir de uma perspectiva interseccional, que considera como raça, etnia, gênero, sexualidade, classe e território se articulam na produção de desigualdades, mas também na elaboração de saberes, resistências e formas de vida. Seu foco recai sobre matrizes de saber situadas, frequentemente ancoradas na oralidade, na ancestralidade, na memória coletiva, no vínculo entre corpo e território, nas práticas de cuidado, nas formas comunitárias de organização e nos processos de resistência e reexistência.
A interdisciplinaridade aqui exige o diálogo entre Antropologia, Etnomusicologia, Educação, Sociologia, Ciências da Saúde, História, Etnohistória, e os paradigmas interepistêmicos e decoloniais que questionam as hierarquias entre saberes.
Inclui, entre outros:
- Saberes indígenas, afrodiaspóricos, quilombolas e comunitários.
- Oralidades, memórias, ancestralidades e patrimônios vivos.
- Expressões culturais e artísticas, línguas indígenas e políticas de valorização de saberes.
- Pedagogias próprias, educação intercultural, educação popular e educação para as relações étnico-raciais.
- Currículo, escola, comunidade e processos formativos territorializados.
- Práticas de cuidado, saúde comunitária e corpo-território.
- Cosmovisões, narrativas, espiritualidades e formas de organização coletiva.
- Metodologias participativas, mediações e abordagens interepistêmicas e pesquisas comunitárias.
Critério de vinculação: Vinculam-se prioritariamente a esta linha os projetos cujo problema central recaia sobre saberes, práticas, pedagogias e epistemologias indígenas, afrodiaspóricas, quilombolas e comunitárias.
Linha 3 — Fronteiras Latino-Americanas: diásporas, mediações e migrações
Problema central: As condições de deslocamento, pertencimento e existência de sujeitos e coletivos em contextos de fronteira, circulação, migração e diáspora na América Latina e no Caribe, e os modos pelos quais raça, gênero, classe e capacidades estruturam essas experiências e as formas de resistência, mediação e produção cultural que delas emergem.
Esta linha estuda os processos culturais e sociais que emergem das fronteiras geopolíticas da América Latina e do Caribe, e dos deslocamentos humanos que elas produzem, sem perder de vista que toda fronteira geopolítica é também atravessada por assimetrias de raça, gênero, classe, e por exclusões baseadas em capacidade. O interesse central é compreender as condições em que populações migrantes, refugiadas, apátridas, diaspóricas e fronteiriças constroem identidade e pertencimento, reivindicam direitos, e produzem novas formas de sociabilidade, mediação, negociação e resistência em contextos de mobilidade e deslocamento.
A linha acolhe pesquisas sobre cidades-gêmeas, regiões fronteiriças, migrações forçadas e voluntárias, refúgio, deslocamentos, políticas de controle e acolhimento, integração regional, mediação linguística e intercultural, direitos humanos, saúde em contextos de mobilidade, educação em contextos de mobilidade, práticas artísticas e culturais em contexto de mobilidade, e experiências produzidas em zonas de fronteira. Abrange também estudos sobre as reconfigurações de identidades, memórias, práticas culturais e sociais em situações de travessia, permanência, circulação e convivência transfronteiriça.
A interdisciplinaridade aqui se expressa no cruzamento entre Geografia, Antropologia, Sociologia, Linguística e os estudos de fronteira, migração, diáspora e relações internacionais. O recorte latino-americanista se afirma no foco nas fronteiras concretas do continente, levando em consideração a localização da Unila na fronteira trinacional Brasil-Argentina-Paraguai como espaço privilegiado de observação e pesquisa desses processos.
Inclui, entre outros:
- Fronteiras geopolíticas e regiões transfronteiriças.
- Cidades-gêmeas, circulação cotidiana e sociabilidades de fronteira.
- Migração, refúgio, deslocamento e mobilidade humana.
- Políticas migratórias, regimes de controle e documentação.
- Políticas, instituições e ações de acolhimento.
- Ações afirmativas para populações migrantes.
- Interculturalidade, plurilinguismo e mediação linguístico-cultural em contextos de fronteira.
- Integração regional e redes transnacionais.
- Direitos humanos, acesso a serviços.
- Saúde em contextos de mobilidade e vulnerabilidade.
- Políticas educacionais, educação intercultural e currículo em contextos de migração e mobilidade.
- Memórias, identidades e práticas culturais em situações transfronteiriças.
- Sociabilidades, fluxos, identidades, corpo e território em contextos transfronteiriços.
- Estudos de Fronteira.
Critérios de vinculação: Vinculam-se prioritariamente a esta linha os projetos cujo problema central recaia sobre fronteiras geopolíticas, circulações, migrações, diásporas, refúgio e mediações socioculturais em contextos transfronteiriços.
