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Projeto Pedagógico

publicado 17/05/2017 11h18, última modificação 12/01/2019 00h08

A vocação da UNILA é a de ser uma universidade que contri­bua para a integração latino-americana, com ênfase no Mercosul, por meio do conheci­mento humanístico, científico e tecnológico, e da cooperação solidária entre as instituições de ensino superior, organismos governamentais e internacionais.

A UNILA está estruturada com uma organização inovadora e uma concepção acadêmico-científica aberta aos avanços científicos, humanísticos e culturais atuais e futuros. A Universidade está comprometida com o destino das sociedades latino-americanas, cujas raízes estão referenciadas na herança da Reforma Universitária de Córdoba (1918), mas com uma perspectiva futura voltada para a construção de sociedades sustentáveis no século 21, fundadas na identidade latino-americana, na sua diversidade cultural, e orientadas para o desenvolvimento econômico, para a justiça social e para a sustentabilidade ambiental.

A missão da UNILA é a de contribuir para o avanço da integração da região, com uma oferta ampla de cursos de graduação e pós-graduação em todos os campos do conhecimento, abertos a professores, pesquisadores e estudantes de todos os países da América Latina. Como instituição federal pública brasileira, a UNILA pretende, dentro de sua voca­ção transnacional, contribuir para o aprofundamento do processo de integração regional, por meio do conhecimento compartilhado, promovendo pesquisas avançadas em rede e a formação de recursos humanos de alto nível, a partir de seu Instituto Mercosul de Estudos Avançados (IMEA), com cátedras regionais nas diversas áreas do saber artístico, humanís­tico, científico e tecnológico.

A expressão “integração latino-americana” não se restringe à concepção de uma América Latina como um continente nascido da colonização ibérica. A América Lati­na compreende todos os países do continente americano que falam espanhol, português ou francês, bem como outros idiomas derivados do latim. Compreende quase totalidade da América do Sul, exceto a Guiana e o Suriname, fortemente influenciados pela cultura anglo-saxã. Engloba todos os países da América Central e também alguns países do Caribe, como Cuba, Haiti e República Dominicana.

Da América do Norte, apenas o México é considerado como parte da América Latina. Os demais países norte-americanos tiveram colonização majorita­riamente anglo-saxônica, com exceção da região de Quebec, no Canadá, que é de colonização francesa (sendo, por­tanto, latina), e dos estados do sudoeste dos Estados Unidos, de colonização espanhola, além da Luisiana, que tem colonização francesa. A América Latina engloba 21 países: Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salva­dor, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Ainda na América Latina existem mais 11 territórios que não são independentes e, portanto, não podem ser considerados países.

Embora haja certa controvérsia na literatura sobre a origem da expressão “América Latina”, forjada no século 19, para alguns autores como Arturo Ardao (Genesis de la Idea y el Nombre de América) e Ignácio Hernando de Larramendi (Utopia de La Nueva América), o colombiano José Maria Torres Caicedo teria sido o primeiro a utilizar esse conceito, no século 19. Por sua vez, Leopoldo Zea, do Colégio do México (Lati­noamérica Tercer Mundo), atribui ao acadêmico francês L. M. Tisserand a invenção desse termo, em 1861, em artigo que publicou na revista La Revue des Races Latines. Para outros autores, como Fernando Del Paso (Noticias del Império), a expressão teria sido cunhada pelo francês Michel Chevalier, ideólogo da teoria pan-latina de Napoleão III. Finalmente, o escritor chileno Miguel Rojas Mix afirma que foi seu compatriota Francisco Bilbao o pri­meiro a utilizar a expressão América Latina, em uma conferência realizada em Paris, no ano de 1856, precedendo a todos os outros, mas foi difundido por José Maria Torres Caicedo, por sua influência nos meios culturais e diplomáticos ibero-americanos de Paris.

Atualmente, mais consistente parece ser a terminologia de Geronimo de Sierra ao referir-se à “América Latina, una e diversa”. Segundo o autor, “para todos los estudiosos serios de América Latina tanto extranjeros como del subcontinente – ha sido siempre un desafío complexo situar-se adecuadamente ante al dilema de la unidad/di­versidad de la región (…) Sin embargo, estamos ante un real problema metodológico de cualquier estudio comparado entre regiones y entre sociedades nacionales, y creemos que no debería se minimizado, mas bien todo lo contrario. Es decir estudios latinoame­ricanos deberian al mismo tiempo analizar os elementos convergentes o comunes de los paises – tratando de ver en cuanto determinan el desempeño y la estructura social misma de cada país –junto con la diferencias y las evoluciones sociohistoricas especificas de las sub-regiones y países”.[2]

Como diria sobre o continente latino-americano o organizador de recente antologia Os melhores contos da América Latina, da Colônia aos nossos dias, “a hipótese é simples: de que a América Latina existe – no caso, existe cultural e literariamente: e da mesma forma, como a América Latina territorial e política, ela não é unitária mas múltipla; não é coesa, mas dividida; não é coerente mas dispersa; não é unida, mas desunida – não é enfim monolítica mas diversificada”. E conclui com o “Canto Geral” de Pablo Neruda:
 

                      “Guarda tua luz, ó! Pátria!, mantémPablo Neruda

                        tua dura espiga de esperança em meio

                        ao cego e temível ar.

                        Em tua remota terra desceu esta luz difícil,

                        este destino dos homens,

                        que te faz defender uma flor misteriosa,

                        solitária, na imensidão da América adormecida.”[3]

Este é o contexto político-institucional, econômico, cultural dentro do qual a UNILA procura contribuir para a integração latino-america­na, reconhecendo a diversidade das identidades nacionais e os elementos que cimentam nossas raízes e nosso destino comum enquanto continente diante do mundo globalizado.

Este é o grande desafio a enfrentar por meio da educação compartilhada e solidária entre os povos da região diante das questões a serem respondidas pela UNILA neste contexto de uma América Latina não apenas imaginária, mas real em suas contradições e conver­gências: “Es nuestra consideración que el abordage de la educación relacionado con la integración debe partir de varias respuestas a otras tantas preguntas. En primer lugar, si la educación la considerarmos un factor de desarrollo, ¿cuál es el esquema de desarrollo que assumimos como paradigma?, ¿ en qué carril del desarrollo nos vamos a montar? Y en outro sentido, ¿qué papel debemos asignar a la educación como mecanismo de prepara­ción de los actores para vivir en una sociedad distinta donde el forme parte de un espacio local y a la vez de un espacio global? En fin, ¿cómo debe influir la educación en esse nuevo autopercibirse del ciudadano común en los nuevos tiempos?”[4]

 

[1] Miguel Rojas Mix. Recordar a Bilbao en el Bicentenario: padre de la idea de América Latina.

[2] Geronimo de Sierra. America Latina, una y diversa. In: Heriberto Cairo y Geronimo de Sierra (compiladores). America Latina: una y diversa: teorias y métodos para su analisis. San José, Costa Rica: Editorial Alma Mater, 2008. p. 15.

[3] Flavio Moreira da Costa. Uma flor misteriosa, solitária, na imensidão da América adormecida. In: Os melhores contos da América Latina. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p.13-14 e 16.

[4] Lino T. Borroto López. Globalización asimétrica y educación en América Latina. In: América. Latina, una y diversa: teorías y métodos para su análisis. Op.cit. p.127.