Pesquisa
UNILA participa de pesquisas que avaliam recuperação ambiental em refúgio da Itaipu
A UNILA participa de pesquisas que avaliam os resultados de mais de quatro décadas de restauração ambiental no Refúgio Biológico de Santa Helena, área mantida pela Itaipu Binacional no oeste do Paraná. As investigações integram uma iniciativa do Núcleo de Inteligência Territorial (NIT) do Itaipu Parquetec, voltada a compreender como os ecossistemas recuperados se estruturam e funcionam atualmente.
A demanda partiu da própria Itaipu, interessada em mensurar os impactos ecológicos das ações de reflorestamento realizadas desde a década de 1980. Ao lado de outras instituições, a UNILA contribui com estudos sobre flora e fauna, fornecendo subsídios científicos para o aprimoramento das estratégias de conservação.
Uma das pesquisas em andamento é “Dinâmica florestal na área de restauração do Refúgio Biológico de Santa Helena”, coordenada pela docente da UNILA Giovana Secretti Vendruscolo, em parceria com a docente da UNILA Laura Cristina Pires de Lima. Também participam do estudo as egressas da Universidade Elizabeth Martínez Huergo e Izabele Oliveira Munaro, além dos estudantes do curso de Ciências Biológicas: Ecologia e Biodiversidade Anny Valentina Hernandez Amortegui, Júlia Gonçalves e Rodrigo Ferreira Cezar.

Segundo Giovana Secretti Vendruscolo, o objetivo é compreender como a floresta se desenvolveu após o reflorestamento. “Nosso objetivo é avaliar a dinâmica da floresta que se estabeleceu após as ações de reflorestamento realizadas pela Itaipu. Ao investigar a estrutura da vegetação e a regeneração natural, buscamos compreender como esses ecossistemas restaurados evoluem ao longo do tempo e quais fatores influenciam sua trajetória”, explica.
A docente destaca ainda o papel formativo da iniciativa. “Além disso, o projeto também tem um importante papel na formação de estudantes da UNILA, que participam das atividades de campo, coleta e análise de dados, vivenciando na prática pesquisas voltadas à conservação da biodiversidade”, acrescenta.
Outra frente de pesquisa é o projeto “Inventário e aspectos ecológicos das comunidades de anfíbios e répteis do Refúgio Biológico de Santa Helena”, coordenado pelo docente da UNILA Michel Varajão Garey, com participação dos docentes Wladimir Pavan Margarido (UNIOESTE) e Luís Felipe Toledo (UNICAMP). Também integram a equipe os bolsistas Biani Fatima Mulinetti, Carlos Eduardo Vargas Grou e Estevão Jasper Comitti.

De acordo com Michel Varajão Garey, o levantamento da herpetofauna é fundamental para compreender a biodiversidade local. “A realização de um inventário de fauna, neste caso da herpetofauna, gera a informação mais básica de que necessitamos para reconhecer a biodiversidade abrigada em um local, ajudando a reduzir os déficits de biodiversidade”, afirma.
O professor ressalta que os dados também contribuem para a gestão ambiental. “Auxilia no processo de diagnóstico da qualidade ambiental por meio das espécies bioindicadoras, na identificação de espécies endêmicas ou ameaçadas de extinção, na detecção de espécies exóticas invasoras e, assim, na elaboração de ações de conservação e de planos de manejo”, completa.
Criado em 1984, o Refúgio Biológico de Santa Helena é um dos principais exemplos de restauração florestal conduzida pela Itaipu. A área soma 1.482 hectares, anteriormente ocupados por atividades agrícolas e hoje cobertos por uma floresta em diferentes estágios de desenvolvimento, abrigando diversidade de espécies de flora e fauna.
As pesquisas integram o eixo de Biodiversidade do NIT, que reúne estudos sobre diferentes grupos — como aves, mamíferos e insetos — em parceria com instituições de ensino e pesquisa de várias regiões do país. Além das atividades científicas, o eixo também promove ações de educação ambiental e comunicação científica, com foco na valorização da biodiversidade no território Itaipu.
Com informações de Andrius Felipe Roque/IFPR
