Institucional
Representantes de instituições de 17 países participaram, na UNILA, do 1º Fórum de Reitoras e Reitores da América Latina e do Caribe
Reitores e reitoras de universidades de 17 países da América Latina e Caribe estiveram reunidos na UNILA, debatendo a cooperação solidária através da educação (Foto: Moisés Bonfim/SECOM-UNILA)
Reitores, reitoras e outros representantes de mais de 150 universidades de 17 países da América Latina e Caribe estiveram reunidos esta semana, na segunda e terça-feiras (29 e 30), na UNILA, para discutir uma agenda de integração e fortalecimento do ensino superior. Após dois dias de discussões, que contaram também com a presença do ministro da Educação brasileiro, Leonardo Barchini, foi assinada a Carta de Foz do Iguaçu, documento oficial compilando as diretrizes e consensos políticos pactuados durante o evento (veja os detalhes abaixo).

- Reitores e reitoras de universidades de 17 países da América Latina e Caribe estiveram reunidos na UNILA, debatendo a cooperação solidária através da educação (Foto: Moisés Bonfim/SECOM-UNILA)
Esta é a primeira edição do Fórum de Reitoras e Reitores da América Latina e do Caribe, iniciativa liderada pelo Ministério da Educação (MEC), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e pela UNILA, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
O ministro Barchini ressaltou que a UNILA “é um projeto que nos dá muito orgulho, e que se consolida como uma das principais instituições do continente”. Para ele, as discussões acerca do papel do ensino superior e da ciência e da tecnologia frente aos desafios geopolíticos, tecnológicos, econômicos e sociais atuais, que foram o objeto central do Fórum, devem nortear as políticas públicas. “Queremos sair daqui com a integração sendo executada de fato, a gente fazendo a cooperação entre os nossos países e que essa cooperação traga frutos, não só na ciência e tecnologia, mas frutos econômicos e sociais para os nossos povos”.

- Ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que a UNILA é uma das instituições mais importantes do continente para a promoção da integração. Durante o Fórum de Reitores e Reitoras, ele também assinou o termo de compromisso para a publicação do segundo edital do Programa Move La América, que promove a integração regional e a cooperação acadêmica por meio do intercâmbio de estudantes (Foto: Moisés Bonfim/SECOM-UNILA)
O Fórum ocorre em um momento estratégico para a UNILA, marcado pelo avanço das obras do Campus Arandu, que deverá concentrar as atividades da Universidade e fortalecer sua missão de integração regional. No início do evento, os presentes puderam conferir o vídeo institucional sobre a obra e ouvir a Canção Oficial da UNILA.
A cerimônia de abertura foi conduzida pela reitora Diana Araujo Pereira, que destacou a relevância do Fórum para “criar um espaço de articulação política para a defesa da integridade de nossas instituições”. Ela pontuou que, especialmente na América Latina e Caribe, as universidades públicas e os institutos tecnológicos vêm, ao longo da história, se tornando instituições estratégicas para a segurança, a integridade e o desenvolvimento social, político e cultural das nações. “Reunidos, somos uma potência intelectual e social. E é essa potência que queremos mobilizar para enfrentar desafios comuns: desigualdades persistentes, violência acadêmica, restrições orçamentárias, migrações, mudanças climáticas, transformações tecnológicas.”
A reitora lembrou também que partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o ideal de criação da UNILA, e que a materialização deste sonho transformou “a nossa região trinacional no coração da diplomacia educacional que respeita e valoriza a diversidade étnica e cultural de toda a região”. Para ela, a UNILA é um espaço de encontro, diálogo e cooperação. Diana afirmou, ainda, que “a educação superior na América Latina está comprometida com a dignidade humana em todas as suas dimensões.”

- “Reunidos, somos uma potência intelectual e social. E é essa potência que queremos mobilizar para enfrentar desafios comuns”, declarou a reitora Diana Araujo Pereira (Foto: Moisés Bonfim/SECOM-UNILA)
Em seguida, o assessor Especial para Assuntos Internacionais do MEC, Felipe Dutra de Carvalho Heimburger, fez a sua fala, destacando a importância de fóruns de integração como este, e classificando como “muito simbólico” que o evento seja realizado na UNILA, ao mesmo tempo em que ocorre a 68ª Cúpula do Mercosul, em Assunção (Paraguai). Heimburger salientou, ainda, que espera que a Carta de Foz do Iguaçu seja uma espécie de guia para o trabalho do Ministério.
O diretor de Relações Internacionais da Capes, Rui Vicente Oppermann, enfatizou que o multilateralismo é “a única maneira pela qual nós podemos construir o desenvolvimento sustentável para a maioria das populações dos nossos países e regiões”. Para ele, o Fórum reafirma a autonomia das universidades, que são as instituições que “continuarão promovendo a liberdade, o desenvolvimento e a cooperação regional”.
O secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Marcelo Bregagnoli, aproveitou o momento de fala para prestar solidariedade à população da Venezuela, afetada por fortes terremotos nos últimos dias. Sobre o Fórum, reforçou que as discussões com vistas ao desenvolvimento da América Latina e do Sul Global para o bem-estar e qualidade de vida das pessoas “passa, sobretudo, pelo papel das instituições de ensino, a fim de favorecer e ampliar os processos de acesso, permanência e sucesso educacional, de forma inclusiva e com equidade”.
O secretário de Educação Superior do MEC, Marcus Vinicius Davi, reforçou que, num contexto de mudanças políticas no cenário internacional, no qual as universidades têm sido colocadas em xeque, é preciso reafirmar que “nos nossos espaços, o princípio da democracia é absolutamente fundamental. A liberdade de pensar é a essência do nosso funcionamento”. Ele elencou, ainda, desafios como as mudanças climáticas, as transformações tecnológicas, as desigualdades sociais, os fluxos migratórios, e a segurança alimentar, e frisou que “nenhum país conseguirá enfrentar sozinho esses desafios. É justamente por isso que a integração latino-americana e caribenha permanece tão atual quanto necessária. E poucas instituições estão tão bem posicionadas para liderar esse processo quanto as nossas universidades”.
Para Davi, “mais do que centros de formação, [as universidades] são espaços de pensamento crítico, inovação e compromisso público. Por isso, fortalecer a cooperação entre nossas universidades significa fortalecer a própria capacidade da região de construir um futuro comum”. Ele reafirmou o compromisso do MEC de ampliar a mobilidade acadêmica, incentivar a rede de pesquisa, promover a internacionalização solidária e construir mecanismos que aproximem ainda mais as instituições de ensino superior.

- Representantes de 67 instituições internacionais e 89 brasileiras participaram do Fórum (Foto: Moisés Bonfim/SECOM-UNILA)
A programação do segundo dia de evento, restrita aos dirigentes das instituições brasileiras e estrangeiras, contou com dois painéis que trataram das temáticas “Sistema Regional de Educação Autonomia, Cooperação e Integração Regional” e “Educação Superior como Direito”.
Carta de Foz do Iguaçu
Ao final das atividades, a reitora da UNILA, Diana Araujo Pereira, e a reitora da Universidade de Havana, Miriam Nicado García, realizaram a leitura da Carta de Foz do Iguaçu, que reúne as diretrizes pactuadas ao longo dos dois dias de evento. Conforme o documento, durante o Fórum “reafirmou-se a educação superior como eixo estruturante de um projeto de nação e de integração regional indispensável à produção de conhecimento estratégico, à formação cidadã e à formulação de políticas públicas voltadas ao bem comum”.
A carta lista os compromissos estratégicos assumidos pelas instituições participantes, a partir dos debates realizados, com destaque para os seguintes temas: defesa da educação pública gratuita, de qualidade e inclusiva; fortalecimento da autonomia universitária e de processos de integração regional; ampliação da cooperação acadêmica; criação de um mecanismo de mobilidade acadêmica; apoio ao fortalecimento do Espaço Latino-Americano e Caribenho de Educação Superior (Enlaces); promoção da internacionalização solidária; entre outros. O documento, na íntegra, pode ser acessado nas versões em português e espanhol.
Ainda durante o encontro, a UNILA assinou 15 protocolos de intenção com instituições de países como Cuba, Colômbia, Argentina, Haiti e México.
Confira mais fotos no Flickr da UNILA.
Assista à abertura do evento, na íntegra:
Assista, também, ao vídeo institucional exibido no início do Fórum:
