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Identidade UNILA

Festival de Culturas da UNILA ocupa diferentes espaços da cidade e transforma a ideia de “casa” em encontro e pertencimento

Evento levou cerca de 50 atividades para espaços da Universidade e de instituições parceiras, consolidando-se no calendário cultural iguaçuense
publicado: 26/06/2026 10h54, última modificação: 26/06/2026 10h54

Ao longo de seis dias de programação, a edição de 2026 do Festival de Culturas da UNILA (FeCult) levou arte, cultura e integração latino-americana para diferentes espaços de Foz do Iguaçu. Inspirado pelo tema CASA, o evento reuniu apresentações, oficinas, exposições, experiências gastronômicas e atividades culturais que convidaram o público a refletir sobre memória, identidade, território e formas de habitar o mundo. O FeCult 2026 foi realizado entre 19 e 24 de junho e integrou diferentes linguagens artísticas, reunindo estudantes, artistas convidados e público externo. 

Com cerca de 50 atividades, o festival ocupou espaços da UNILA e também locais parceiros da cidade, como o Mercado Público Barrageiro, o Parque Nacional do Iguaçu e o Parque das Aves, ampliando o encontro entre universidade e comunidade e reforçando a presença da instituição como promotora de arte e cultura no território.

Para a pró-reitora de Extensão, Andreia Moassab, o tema desta edição dialoga com o momento vivido pela Universidade, mas amplia esse significado para diferentes dimensões do pertencimento. “A inspiração principal deste ano foi o fato de a UNILA finalmente estar consolidando sua casa própria, com a continuidade das obras do Campus Arandu e a aquisição do Jardim Universitário. Mas a ideia de casa vai muito além disso – fala da nossa fronteira trinacional, da América Latina, da Pachamama, do corpo como nossa casa e das memórias e identidades que construímos nesses territórios.”

A pró-reitora destaca que o FeCult vem ampliando sua presença para além dos espaços universitários e fortalecendo a circulação cultural em diferentes territórios. “Nos últimos anos, o festival tem ocupado cada vez mais espaços fora dos muros da universidade. Além de ampliar o encontro com a comunidade, isso fortalece o papel da cultura como espaço de circulação e de troca.” Segundo ela, o Festival também se consolidou como espaço de valorização da produção artística e cultural estudantil. “O FeCult é um espaço de valorização da produção artística e cultural dos estudantes da UNILA. Além da formação e da qualificação desses artistas, o festival também abre caminhos para divulgar seus trabalhos e inseri-los em circuitos culturais para além da universidade.”

O produtor cultural da UNILA, Luciano D. Miguel, ressalta que o conceito de casa orientou não apenas a programação, mas também o sentido simbólico do festival. “O conceito de casa que orienta esta edição do FeCult está ligado a uma cultura que acolhe, sustenta e ampara. É o território dos encontros, dos afetos e da construção coletiva da vida.” Segundo ele, a proposta também buscou estimular reflexões sobre convivência e formas de construir coletivamente os espaços compartilhados. “Pensar a nossa casa também é pensar os lugares que construímos juntos. Para muitas pessoas, a universidade é mais do que uma segunda casa; é um espaço central de convivência, de criação e de projeção de futuro.”

D. Miguel acrescenta que o tema dialogou ainda com debates contemporâneos sobre cuidado e relações sociais. “Neste ano, em que também lembramos os 20 anos da Lei Maria da Penha, o festival também foi um convite para refletir sobre acolhimento, respeito e novas maneiras de fazer e viver a cultura.” 

Entre os artistas convidados, o coletivo Narciso, de São Roque (SP), participou pela terceira vez do festival com o espetáculo Rio-Passarinho, aproximando a temática da casa das discussões sobre mudanças climáticas e relações com o território. O artista cênico Vinicius Julião de Oliveira explica que a pesquisa do grupo busca relacionar teatro, transformações sociais e questões ambientais. “Participar desta edição com a temática ‘casa’ foi muito significativo. O planeta é nossa casa maior. Sem condições adequadas para a vida, todas as outras casas deixam de existir. Com Rio-Passarinho, buscamos trazer essa reflexão para cada cena e reforçar a importância de cuidar dos espaços que habitamos – da casa pessoal à casa planetária.”

A programação também incluiu atividades em diálogo com o patrimônio natural de Foz do Iguaçu. Para a artista visual Silvana LaCreta Ravena, apresentar um trabalho voltado à Mata Atlântica em contato com estudantes tornou a experiência ainda mais significativa. “A arte dialoga com todas as pessoas, mas o ambiente universitário tem algo muito especial. É um momento de efervescência intelectual, de exercício do pensamento crítico e de abertura para o mundo – e isso conversa diretamente com a arte.” Ela destaca que o encontro entre arte, natureza e juventude foi um dos aspectos mais marcantes da participação no festival. “Compartilhar esse trabalho aqui, em contato com um público jovem, atento e aberto às trocas, é algo muito inspirador.”

Para quem participou do FeCult pela primeira vez, o festival também foi uma oportunidade de conhecer diferentes expressões culturais presentes na comunidade universitária. Estudante de Administração Pública e Políticas Públicas, Mike Sandra Mentor acompanhou atividades do evento e destaca a experiência de entrar em contato com produções artísticas e manifestações culturais de diferentes países. “Eu achei muito interessante ter esse tipo de atividade na universidade porque cria oportunidades de conhecer outras culturas, experimentar comidas típicas e observar como estudantes de outros países expressam suas realidades por meio da arte.”

Ao transformar a ideia de casa em experiência coletiva, o Festival de Culturas da UNILA reafirmou a presença da Universidade na cidade não apenas como instituição de ensino, pesquisa e extensão, mas também como promotora de encontros, circulação artística e produção cultural conectada ao território e à integração latino-americana.