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Capacitação do servidor impacta na qualidade da gestão universitária

Na UNILA, 67% dos técnicos são pós-graduados; conhecimentos da pós-graduação auxiliam na implantação de soluções inovadoras para as demandas do serviço público
publicado: 13/02/2019 16h13, última modificação: 14/02/2019 09h58

A capacitação do corpo docente é um fator determinante para aferir a qualidade de uma instituição de ensino superior. A porcentagem de professores com mestrado e doutorado implica no resultado das avaliações dos cursos de graduação das universidades. O que poucos sabem é que a qualificação do quadro de servidores Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) também é essencial para garantir uma gestão universitária mais eficiente, o que influencia diretamente na qualidade acadêmica. Na UNILA, muitos servidores técnicos buscam voluntariamente qualificação para ampliar conhecimentos e atender, de melhor maneira, às suas demandas na administração universitária.

Daniel Teotonio do Nascimento é doutor em Administração pela UFMS e administrador da Seção de Convênios da UNILADe acordo com um levantamento realizado no Sistema de Gestão de Recursos Humanos da UNILA, dos 534 TAEs ativos, 45,5% já fizeram cursos de especialização e 20% cursaram mestrados. Há, ainda, seis técnicos com doutorado. E esse número deverá crescer nos próximos meses. Atualmente, 26 técnico-administrativos estão afastados para fazer pós-graduação, 16 em mestrados e 10 em doutorados. “Também temos vários servidores que não solicitam a licença e acumulam o mestrado e doutorado com as atividades diárias na UNILA. Outros, ainda, solicitam licença para tratar de assuntos particulares e realizam um período de estudos. Então, o número de TAEs que está na pós-graduação é ainda maior”, explica a pró-reitora de Gestão de Pessoas, Gihan Teixeira Jebai.

O professor Jamur Marchi, do Mestrado em Políticas Públicas e Desenvolvimento, diz que a busca dos servidores por qualificação vai ao encontro das transformações sociais, econômicas e tecnológicas da sociedade, que acabam exigindo uma nova postura do serviço público. “Servidores qualificados tendem a ser mais econômicos, pois tendem a evitar retrabalho, ao mesmo tempo que buscam soluções criativas para melhorias nos processos de trabalho. Nesse sentido, não há dúvidas da importância da qualificação do capital humano para melhorar a eficiência das organizações”, salienta Marchi, que também é pró-reitor de Planejamento da UNILA.

A qualificação também é uma forma de repensar práticas que, no senso comum, são chamadas de burocráticas, como o excesso de formalidades, rotinas e hierarquização em determinados processos. “Neste caminho, a qualificação do pessoal nos órgãos públicos tende a contribuir para diminuir tais disfunções da burocracia, privilegiando a correta normatização, padronização de tarefas e eliminação de atividades que não agreguem valor ao processo e principalmente ao cidadão ou usuário”, complementa.

Ensino superior por uma nova perspectivaServidor Eduardo Castilha (centro) com os docentes José Sampaio e Elias Garcia, da Unioeste, durante a banca de defesa de dissertação

Para os servidores técnicos que trabalham no ambiente universitário, cursar uma pós-graduação também é uma possibilidade de enxergar a universidade sob uma nova perspectiva. “Particularmente, o mestrado me possibilitou compreender de forma mais precisa as necessidades administrativas que tanto os alunos quanto os docentes demandam aos técnico-administrativos. Uma vez que você se coloca no papel de aluno, passa a compreender quais as dificuldades, burocracias e entraves que por vezes a administração pública impõe”, declarou o assistente em Administração do ILATIT Eduardo Castilha. Eduardo foi aluno da primeira turma do mestrado em Políticas Públicas e Desenvolvimento da UNILA. Antes do mestrado, concluído em 2018, ele já tinha cursado três cursos de especialização nas áreas de Gestão Pública, Gestão de Pessoas e Gestão de Projetos.

Outra vantagem é a de ter embasamento científico para as novas demandas que são exigidas do serviço público. “O mestrado e o doutorado ampliam nossa visão para assuntos emergentes que irão impactar diretamente na Universidade. Muitas vezes, o conhecimento adquirido nos permite enfrentar esses novos desafios com um posicionamento mais crítico e inovador”, diz Daniel Teotonio do Nascimento, doutor em Administração pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e administrador da Seção de Convênios da UNILA.

Por outro lado, a qualificação também aumenta a responsabilidade dos TAEs, principalmente daqueles que lidam diretamente com alunos e professores, que passam a ter um papel maior na construção do conhecimento em sala de aula. É o que acontece com os servidores do Departamento de Laboratório de Ensino (DELABEN). “A qualificação traz um conhecimento específico que auxilia muito na hora de aplicar determinadas práticas ou implantar novas metodologias. Além disso, fica muito evidente que a qualificação permite ampliar o atendimento das aulas práticas. Às vezes, os alunos têm dúvidas sobre conteúdos de aulas que podem ser esclarecidas pelos técnicos de laboratório, graças aos conhecimentos específicos adquiridos no mestrado ou no doutorado. O técnico, obviamente, não substitui o profSolange Aikes é mestre em Saúde Pública e atual secretária de Apoio Científico e Tecnológico da UNILAessor, mas o apoia, aliviando um pouco a carga de trabalho do docente”, ressalta a mestre em Saúde Pública e secretária de Apoio Científico e Tecnológico da UNILA, Solange Aikes. Atualmente, dos 37 técnicos de laboratório do DELABEN, 20 já terminaram ou estão cursando um curso de pós-graduação stricto sensu.

Desafio é incentivar a aplicação dos conhecimentos 

Nas universidades federais, a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoal (PNDP) traz como uma de suas diretrizes o incentivo e o apoio ao servidor técnico e docente em suas iniciativas de capacitação e qualificação voltadas para o desenvolvimento das competências institucionais. “A concessão do afastamento para mestrado ou doutorado e até mesmo a licença para capacitação sem prejuízo à administração são incentivos à capacitação e qualificação dos servidores. Ao liberar parcial ou integralmente o servidor, a instituição permite que ele se dedique a estudos e pesquisas que tenham relação com as atividades desempenhadas e que possam contribuir com a melhoria desses serviços”, reitera a pró-reitora de Gestão de Pessoas.

De acordo com professor Jamur Marchi, um dos desafios do incentivo à qualificação nas organizações públicas é criar estratégias para que os servidores qualificados possam colocar em prática os novos conhecimentos adquiridos. “O órgão público deve ter um plano de qualificação vinculado aos objetivos estratégicos, de modo que o treinamento e o desenvolvimento de pessoal estejam alinhados ao planejamento. Isto é particularmente importante para que as pessoas possam pôr em prática os conhecimentos obtidos com a qualificação. Outra forma de incentivo está dentro dos setores, nas chefias ou responsáveis. Estes precisam ter a sensibilidade para incentivar a qualificação promovendo rodízios entre os servidores para afastamentos com essa finalidade e, também, dar espaço para que os conhecimentos adquiridos possam ser disseminados e empregados na organização. Do contrário, as capacitações e treinamentos acabam sendo de pouco proveito, afetando diretamente a motivação do pessoal."