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Projeto de estudante da UNILA analisa riscos de inundação do Rio M'Boicy

Rio flui em áreas urbanas e as inundações causam muitos transtornos; projeto foi apresentado à Prefeitura de Foz com o objetivo de contribuir para a redução do problema
publicado: 11/01/2018 00h00, última modificação: 12/01/2019 00h19
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Glaucio Roloff, Edgar Jacho, Elsidio Cavalcanti e Ariel Boldrini

Glaucio Roloff, Edgar Jacho, Elsidio Cavalcanti e Ariel BoldriniO rio M'Boicy flui em áreas urbanas de Foz do Iguaçu e encontra-se invisibilizado pelas transformações da cidade. Ganha, no entanto, mais evidência em épocas de chuva, quando inundações acontecem. Com foco nesse cenário, o estudante equatoriano de Engenharia Civil de Infraestrutura Edgar Ricardo Jacho desenvolveu, para o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), a pesquisa "Modelagem do risco de inundação em trechos críticos de rios urbanos: o caso do rio M'Boicy". O trabalho foi apresentado à Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, com o objetivo de compartilhar dados que possam contribuir na mitigação desse problema. Na ocasião, estiveram presentes ainda o docente de Engenharias da UNILA e orientador do projeto, Glaucio Roloff; o secretário de Planejamento e Captação de Recursos de Foz do Iguaçu, Elsidio Cavalcanti; e o morador da cidade Ariel Boldrini, cujo estabelecimento é afetado pelas inundações do rio M'Boicy.

O estudante Edgar Jacho e o docente Glaucio Roloff“O projeto buscou determinar a vazão excedida em diferentes cenários do trecho crítico do rio M'Boicy, utilizando softwares livres que foram calibrados e validados para modelagem hidrológica e hidráulica. O estudo compreendeu um trecho de 700 metros e identificamos que, com sujeira e tubos de esgoto, há um ponto crítico, que é uma galeria (abaixo da Avenida Schimmelpfeng) com as maiores vazões excedidas”, contextualiza o estudante. Ele ressalta ainda que esse ponto causa inundação a partir de uma probabilidade de 20% ao ano. Nas conclusões, destaca também que esse trecho encontra-se fora de norma e, ainda, a curto prazo, recomenda-se retenção da sujeira a montante (que faz referência à direção da nascente do rio) e, a longo prazo, estudo de alternativas de retenção ou desvio usando modelos propostos.

“Essa pesquisa também vem desmistificar a ideia de que modelagem sofisticada e robusta e o trabalho de geoprocessamento têm custo astronômico. O que mostramos é que isso pode ser realizado a baixo custo. Aponta caminhos de como é possível fazer esse trabalho e, ainda, a importância de um planejamento hidrológico nas áreas urbanas, para beneficiar moradores afetados com essa problemática”, diz o docente Glaucio Roloff. “Foi um trabalho em que pude aplicar a teoria na prática. É um conhecimento que pode ser aplicado em várias partes da América Latina, de acordo com as características de cada país”, opina o estudante Edgar Jacho, que concluirá sua graduação nesta sexta-feira (12).

Pesquisa e Extensão

Atividades de pesquisa e extensão dos estudantes da UNILA no rio M'Boicy    Atividades de pesquisa e extensão dos estudantes da UNILA no rio M'Boicy

Essa pesquisa também é fruto da trajetória de um projeto de extensão intitulado “Tecnologias apropriadas para mitigação de riscos em áreas urbanas”, do qual Edgar Jacho foi um dos bolsistas. Foi feito um levantamento das condições da bacia hidrográfica da região, sempre buscando metodologias que fossem acessíveis, de baixo custo. O estudo também tem contribuição de dados do trabalho de topografia de fundo de vale, com sofisticados equipamentos de GPS da Universidade, realizado por estudantes da UNILA e com supervisão da docente Mara Rubia Silvia, do curso de Engenharia Civil de Infraestrutura. E, ainda, de dados fornecidos pela Prefeitura de Foz do Iguaçu e de investigações realizadas pela comunidade acadêmica da Uniamérica.

Um trabalho, portanto, que trouxe um conjunto de informações que pode ajudar a comunidade afetada e contribuir nas ações por parte da prefeitura. “Fomos procurados e informados sobre esse projeto, que trouxe uma metodologia científica e diagnóstico que ajudou a entender o que estava acontecendo nessa problemática fluvial”, aponta Ariel Boldrini. “Esse projeto vai ao encontro de uma necessidade da prefeitura. Tivemos autorização de buscar, entre os parceiros, apoio das universidades e estamos trabalhando em conjunto com elas, criando possibilidades para que possam contribuir, com seu potencial e vontade, em torno de demandas reprimidas que envolve o rio Boicy”, afirma Elsidio Cavalcanti.

. O trabalho de conclusão de curso “Modelagem do risco de inundação em trechos críticos de rios urbanos: o caso do rio M'Boicy”, do estudante Edgar Jacho, pode ser acessado aqui.