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Estudante da UNILA ajuda idosos a entender plataformas digitais

Projeto desenvolvido no CRAS teve por objetivo facilitar o uso aplicativos como o Gov.br por parte de quem precisa acessar benefícios sociais
publicado: 05/01/2026 10h37, última modificação: 05/01/2026 10h36
Sheila (em pé, à esq) na oficina com idosos no Cras Oeste (foto: arquivo pessoal)

Sheila (em pé, à esq) na oficina com idosos no Cras Oeste (foto: arquivo pessoal)

Plataformas, carteiras digitais, aplicativos são palavras comuns no dia a dia das pessoas, mas podem não significar nada para uma parcela da população que precisa da tecnologia para acessar serviços públicos e garantir direitos. Pensando nessa dificuldade, a estudante de Serviço Social Sheila Carvalho de Souza, propôs a realização de oficinas no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), unidade da região oeste, onde faz estágio.

Sheila (em pé, à esq) na oficina com idosos no Cras Oeste (foto: arquivo pessoal)

As oficinas são atividades de seu projeto de intervenção. Diferente da pesquisa, um projeto de intervenção tem foco na ação e na transformação da realidade observada. Tem por objetivo, identificar e solucionar um problema prático, aplicando conhecimentos teóricos e metodológicos. Em seu estágio, Sheila percebeu que existem muitas dúvidas por parte da população atendida no Cras Oeste sobre as plataformas e o uso de ferramentas digitais que facilitam o acesso a serviços como realizar agendamentos e obter comprovantes e documentos, entre outras possibilidades.

Uma dessas ferramentas é o aplicativo Gov.br, tema de uma das oficinas ministradas. “O governo concentrou serviços na plataforma Gov.br e os idosos têm muita dificuldade com tecnologia”, comenta Sheila. “Grande parte dos idosos nem sabe se tem conta na plataforma. Quando tem, quem acessa é um filho, um tio, um primo, uma vizinha”, comenta, lembrando que o aplicativo exige um uso seguro porque é acesso para diferentes serviços oferecidos na esfera governamental.

Os participantes conheceram as funcionalidades do aplicativo e receberam orientações e uma cartilha com informações gerais, incluindo a abertura de uma conta. Os idosos também receberam informações sobre como fazer o cadastramento e o o passo a passo para obter a Carteirinha do Idoso Paranaense, que pode ser feita diretamente do site do governo do Paraná. Esse documento permite o uso de transporte intermunicipal gratuito ou com desconto e outros benefícios assegurados pela política estadual da pessoa idosa.

O projeto de intervenção inclui ainda orientações sobre a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA), que segundo a estudante, não é totalmente conhecida pela população atendida no Cras e que também é obtida por meio de aplicativo. Entre os benefícios da Carteira está o atendimento prioritário e o acesso a direitos previstos em lei. “Com a carteirinha, é possível comprovar que se está dentro do espectro autista sem a necessidade de apresentar um laudo todas as vezes em que se vai acessar um serviço específico”, cita.

Realizado inicialmente na unidade da região oeste da cidade, o projeto de intervenção também foi levado ao Cras Sul por solicitação da equipe de assistência social. “Como os usuários estão sempre com dúvidas, querendo conhecer melhor seus direitos – algumas pessoas sequer sabem que têm direitos – vimos a relevância de incorporar a ação também em outros locais”, conta.

Além de promover a inclusão digital e a autonomia dos usuários do Cras no acesso a serviços públicos e garantia de seus direitos, com o projeto busca-se também reduzir a demanda por orientações individuais repetitivas no Cras, otimizando atendimento a casos mais complexos de vulnerabilidade social.