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CNPq aprova primeira bolsa de pós-doutorado da UNILA

Projeto tem o objetivo de desenvolver biomateriais que poderão ser usados para captação de energia
publicado: 15/02/2019 17h20, última modificação: 15/02/2019 17h20

A nanocelulose é considerada o material do futuro. Por conta de suas características, esse material – produzido a partir de matéria biológica – tem um grande número de aplicações, que vai da produção de embalagens sustentáveis a aplicações de pele artificial para o tratamento de queimaduras. Na UNILA, pesquisas tentam demonstrar que esse biomaterial pode ter mais uma funcionalidade: a captação de energia. A responsável pelos estudos é a pesquisadora Samara Silva de Souza, doutora em Engenharia Química (UFSC) e uma das primeiras pós-doutorandas da UNILA.

Samara Silva de Souza está entre os nove pesquisadores contemplados com a bolsa de Pós-Doutorado Empresarial do CnPqSamara teve seu projeto aprovado na Chamada Pública para Pós-Doutorado Empresarial no CNPq, para desenvolver novos biomateriais multifuncionais que possam ser utilizados para a captação de energia e também como sensores. No Brasil, apenas nove bolsas como essa foram aprovadas em 2019.

Desde abril de 2018 a pesquisadora já atuava, de forma voluntária, no Laboratório de Bioquímica e Microbiologia da UNILA. “Na UNILA, nós já estamos produzindo a nanocelulose bacteriana, um dos biomateriais que tem ganhado espaço na pesquisa devido a suas propriedades específicas, como alta resistência mecânica, biodegradabilidade, grande capacidade de retenção de água, elasticidade, durabilidade e flexibilidade de produção. Nosso objetivo é, por meio de novas tecnologias e incorporações de outros componentes, desenvolver novos materiais que possam ter um leque de utilização, como células fotovoltaicas e dispositivos eletrônicos”, explica Samara. O estudo está correlacionado ao projeto de pesquisa sobre Coleta de Energia (Energy Harvest) coordenado pelo professor Oswaldo Hideo Ando Júnior e que recebeu a Bolsa de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora do CNPq.

Apesar da aparência frágil, a nanocelulose pode ser dez vezes mais resistente que o aço inoxidávelO processo de produção da nanocelulose bacteriana é simples. “Nada mais é do que colocar as bactérias em um meio de cultivo, mantê-las em temperatura e ambiente adequados por um tempo desejado, e aí elas começam a desenvolver um microfilme, que é a nanocelulose. No laboratório, nós conseguimos controlar a espessura e a largura desse microfilme de acordo com a sua utilização”, relata. O resultado é um material flexível, transparente e viscoso, que lembra uma gelatina incolor. Apesar da aparência frágil, já há estudos que mostram que a nanocelulose é de oito a dez vezes mais resistente que o aço inoxidável.

Pesquisas e inovação

Atualmente, dois projetos de iniciação científica já trabalham com a nanocelulose bacteriana na UNILA. A estudante de Engenharia Química Loise Rissini Kramer está testando a funcionalização da nanocelulose incorporada com resíduo de carvão mineral. “Pensando nas aplicações em separado desses dois materiais, suspeita-se que possamos conseguir um bom material para processos de separação e absorção”, conta Loise. O outro projeto pretende funcionalizar a nanocelulose bacteriana com materiais que apresentam condutividade elétrica, como o grafeno, para a produção de sensores.

A proposta é que, durante o período da bolsa de pós-doutorado, outros estudantes e professores iniciem pesquisas Aluna Loise Rissini Kramer (esquerda) estuda a funcionalização da nanocelulose incorporada com resíduo de carvão mineralsobre as aplicações dos biomateriais em diversas áreas do conhecimento. Hoje, o Laboratório de Bioquímica e Microbiologia tem um estoque de cepas de duas bactérias – Komagataeibacter xylinus e Komagataeibacter hansenii – suficiente para fazer pesquisas com nanocelulose durante um período de dez anos. “Nossa intenção é aproveitar o pós-doutorado e o grupo de pesquisadores envolvidos para consolidar a linha de pesquisa na UNILA, além de orientar e formar novos alunos de Iniciação Científica, Iniciação Tecnológica e Mestrado”, diz o supervisor do pós-doutorado, Oswaldo Hideo Ando Júnior.

Outra ideia é buscar organizações parceiras para financiar projetos conjuntos, contribuindo para tornar a UNILA desenvolvedora de pesquisa e inovação de excelência. “A pesquisa dos biomateriais é algo interdisciplinar que pode envolver áreas como a Biotecnologia, a Engenharia de Materiais, a Química, a Engenharia de Energia e muitas outras. E os resultados podem ultrapassar as fronteiras da academia e trazer, de fato, melhorias para a sociedade por meio de inovação e novos produtos”, salienta Samara.

Atualmente, também estão envolvidos nos estudos sobre Biomateriais a pesquisadora Daniella Lury Morgado, também com vínculo de pós-doutorado, e o aluno Samuel Chagas de Assis, do curso de Biotecnologia. O grupo também fornece biomateriais como suporte para pesquisas sobre desenvolvimento de vacinas e biologia celular, que já são desenvolvidas na Universidade.

Como funciona o pós-doutorado

Pesquisa quer desenvolver materiais para células fotovoltaicas e dispositivos eletrônicosAtualmente, de acordo com dados da Divisão de Fomento à Pesquisa, sete pesquisadores estão fazendo pós-doutorado na UNILA.

O pós-doutorado é um estágio realizado por doutores com menos de dez anos desde a defesa de tese, para aprofundar os conhecimentos em um determinado tema de pesquisa. Nessa fase da carreira acadêmica, o pós-doutorando não precisa cursar disciplinas ou defender tese, dedicando-se exclusivamente à pesquisa aplicada. Também não há a figura de um orientador, mas sim de um supervisor, um doutor com maior experiência acadêmica a quem caberá auxiliar o estudante de pós-doutorado no andamento da pesquisa.