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A crise hídrica, seus impactos e a busca de soluções

Para o docente do curso de Geografia, Diego Flores, entrevistado da série ¿Qué Pasa?, é preciso buscar ajuda da tecnologia para reduzir a escassez de água no Brasil
publicado: 14/01/2022 16h25, última modificação: 14/01/2022 17h48

A grande quantidade de chuvas que vem sendo registradas nas últimas semanas estão ajudando a encher os reservatórios de água de muitas regiões do país, mas a solução para a crise hídrica que o Brasil vem vivendo nos últimos anos não pode depender somente da natureza. As ações humanas e suas consequências e a organização das atividades produtivas são fundamentais nesse processo. Esse é o tema da entrevista do geógrafo e professor da UNILA Diego Flores para a série ¿Qué Pasa? produzida pela SECOM.

 

O período mais recente de crise hídrica, explica o professor, teve início em 2019 e está relacionado ao fenômeno La Niña, que é a diminuição da temperatura nas águas do Oceano Pacífico. “Mas esse não é o único fator. Aliado a isso há o desmatamento generalizado das florestas que também impacta essa crise, a degradação das bacias hidrográficas, a utilização das águas superficiais e de subsuperfície”, pontua.

O uso da tecnologia e de técnicas de produção agrícola são ações que podem ajudar na redução da escassez de água. “Para tentar conter, diminuir os impactos da crise hídrica seria [necessário] inserir tecnologias que possam, em primeiro momento, armazenar a água da chuva. Isso seria muito prático nas áreas rurais, principalmente para os pequenos agricultores, que estão mais voltados a produção de alimentos”, diz.

Ele cita como medidas o uso da irrigação por gotejamento, que ajuda a evitar o desperdício; planos de manutenção de áreas de preservação permanente; fossas biodigestoras; e técnicas de cultivo agroflorestal. Uma outra medida que pode ajudar a reduzir a crise hídrica é o Pagamento por Serviços Ambientais, previsto na Lei 17.134/2012. A lei permite que produtores rurais e empresas que executem serviços para a recuperação ambiental possam ser remuneradas. Para a área urbana, ele cita ações como o aproveitamento das águas das chuvas e o tratamento de efluentes das indústrias. “Essas medidas possibilitam num curto e médio prazo, mandar mais água para o sistema de lençóis freáticos e de aquíferos e proporciona nossas atividades do dia a dia de uma forma mais tranquila”, avalia.

Além de problemas com o abastecimento de água, que já vêm sendo enfrentados por moradores das regiões metropolitanas de Curitiba e São Paulo, a crise hídrica também afeta o fornecimento de energia, que provoca o aumento das tarifas e a produção de alimentos. “[A produção de alimentos] está mais atrelada aos pequenos produtores rurais e eles têm menos recursos para arcar com a escassez hídrica. Os preços dos alimentos aumentam e todo mundo vai sentir isso no bolso de forma um pouco mais direta.”

Para ele, tanto a agropecuária industrial quanto um banho de 15 minutos têm impactos ambientais importantes. “De fato a agropecuária industrial consome bastante água. Em torno de 70% da água consumida é utilizada na agropecuária. O banho de 15 minutos também interfere bastante porque não deixa de entrar aí o mau gerenciamento. O que precisa pensar são formas de conciliar a atividade agropecuária industrial e também em como economizar água em casa”, discorre.

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