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Varíola dos macacos tem menor poder de transmissão, diz pesquisador

Kelvinson Viana explica que a doença tem baixa virulência e exige maior contato entre pessoas para ser transmitida
publicado: 14/06/2022 18h00, última modificação: 15/06/2022 15h56

A pandemia de Covid-19 deixou as pessoas mais atentas e mais temerosas. A notícia do registro de casos de varíola dos macacos em humanos, em diferentes países, incluindo o Brasil, acendeu a luz de alerta. O docente e pesquisador Kelvinson Viana, no entanto, diz que o momento não é para pânico. “O vírus que está circulando pelo mundo tem uma baixa virulência e causa uma infecção mais branda”, diz. Além disso, a transmissão “precisa de um contato mais íntimo, mais próximo, [e do] contato com as secreções das lesões de pele".

Veja a entrevista completa:

A varíola dos macacos, ou dos símios, é muito semelhante à varíola humana, doença já erradicada, explica o docente. A varíola é caracterizada pelo aparecimento de lesões na pele (bolhas), dor muscular e febre, que enfraquecem o sistema imunológico, podendo ser registradas infecções secundárias. A doença não deixa sequelas, mas as lesões podem gerar cicatrizes. Não há registros de morte em decorrência da contaminação pelo vírus em circulação, diz Kelvinson, lembrando que a doença é endêmica no continente africano, principalmente na Nigéria, República Democrática do Congo, Serra Leoa e Libéria.

Embora chame-se varíola dos macacos, o vírus não é transmitido por esses animais. “O macaco não é responsável por isso. Ele é só mais um animal que foi infectado. O reservatório correto a gente nem sabe, com certeza, qual é a espécie. A gente sabe que pequenos roedores são reservatório, mas quais são a gente não tem condições de dizer com absoluta certeza", explica.

O fato de ainda estarmos, oficialmente, na pandemia de Covid-19, avalia o pesquisador, fez a doença chamar a atenção, não só da comunidade científica, mas também da população em geral. No entanto, Kelvinson lembra que entre as principais diferenças com a Covid estão a forma de transmissão, que necessita maior contato entre as pessoas, e a frequência de mutações do vírus da varíola, que é muito menor que a do coronavírus. “O risco de a varíola dos símios se transformar numa pandemia é baixo, é muito baixo, mas não se pode falar que não há esse risco porque [esse é um] processo biológico. Por mais que esse vírus sofra poucas mutações, não se sabe se em algum momento pode sofrer alguma alteração e passar a ser transmitido de maneira mais fácil. A gente não tem esse controle. O que a gente tem são os sistemas de vigilância”, salienta.

Um dos motivos para o registro desses casos atualmente, diz o pesquisador, é o fato de a vacinação contra a varíola humana ter sido encerrada na década de 1980. “Essa vacina protege para a vida toda. Só que há uma grande parcela da população que não recebeu nenhuma imunização. Desde essa década ninguém mais foi vacinado para esse vírus. Então, em tese, uma pessoa infectada, e que não é vacinada, vai levando com ela a infecção, por mais que seja mais difícil de se alastrar, mas ela vai levar.” A varíola dos macacos é monitorada constantemente por pesquisadores. “Esse é um bom trabalho de grupos de pesquisa, de agências de vigilância, só que os dados ficam restritos, até porque, se não há anormalidade, não tem motivos para a divulgação constante. Se surgir alguma situação, como agora, então os dados são divulgados.”

Sobre uma possível vacinação, Kelvinson explica que, como os vírus da varíola (humana e dos macacos) são muito semelhantes, as vacinas que já existem poderão ser usadas. “Se fosse necessário, neste momento, os grupos que poderiam tomar essa vacina são o pessoal que trabalha em laboratório, médicos e enfermeiros, que estão lidando com pessoas infectadas. Não há necessidade da população inteira tomar”, diz. “É uma situação completamente diferente da Covid. Por causa da forma de transmissão, a doença é mais branda e nós temos vacina pronta para ser liberada, se for o caso.”

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