Extensão
UNILúdica aproxima população à cultura e à prática científica
Holografia, experimentações que utilizam metal magnetizado para ensinar sobre a eletricidade, jogos eletrônicos, exposição de animais taxidermizados (empalhados) com informações sobre seu habitat, regiões de ocorrência e hábitos alimentares estiveram em destaque neste mês, em uma ação que uniu professores e alunos da UNILA. Essa variedade de experiências foi oferecida pelo projeto UNILúdica, ação extensionista desenvolvida pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade, que promove atividades com foco na divulgação científica. O evento, no Mercado Público Barrageiro, marcou o Dia Internacional de Altas Habilidades e Superdotação (AH/SD), celebrado em 10 de agosto. Organizado pela Escola Municipal Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, o ato teve nas intervenções oferecidas pelo UNILúdica um dos seus pontos-chave, reunindo dezenas de crianças.
Parcerias e aproximação
Promovido pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) de Foz do Iguaçu, por meio da Sala de Recursos para Altas Habilidades e Superdotação da Escola Parigot de Souza, o evento contou com uma programação direcionada aos pais – com uma palestra sobre AH/SD, ministrada por uma psicóloga convidada – e aos seus filhos, com atividades a cargo do projeto UNILúdica, que montou uma estrutura no mezanino do mercado. “Estamos aqui, pois este evento já está na sua terceira edição e a Secretaria de Educação nos convidou, assim como a UNILA, para ajudar nas atividades. Aqui há vários grupos e nós, da PROEX, organizamos ações em conjunto com os professores extensionistas”.
Tendo como uma de suas marcas a aproximação com a comunidade, o UNILúdica integra um projeto maior – o Comunica Extensão – e congrega tanto projetos como disciplinas extensionistas. A cada evento organizado pelo UNILúdica, é feito um chamamento para que coordenadores de outras iniciativas de extensão possam se unir e oferecer suas atividades em conjunto. No caso deste evento do Dia Internacional de Altas Habilidades e Superdotação (AH/SD), houve a participação do projeto Divulgação Científica e Feira de Ciências nas Escolas, com experimentações da área de Engenharia Física e Engenharia Mecânica. A este, somou-se uma exposição da área de Biologia, com mostra de animais taxidermizados (empalhados).
“Fizemos um pequeno chamamento [aos coordenadores das ações extensionistas] desta vez, até porque estamos no recesso. Mas trouxemos a exposição do Museu Willy Barth [de Toledo], com alguns animais emprestados para a PROEX, e os projetos da área da física”, resume a chefe do Departamento de Ações e Curricularização da Extensão (DACEX), Elaine Soares (veja matéria abaixo), também coordenadora do UNILúdica.
Segundo ela, a PROEX tem como uma das diretrizes manter contato direto com a SMED e com outros órgãos da área, como a Secretaria Estadual de Educação, o que propicia o surgimento de parcerias semelhantes. Por isso, são comuns eventos em que a Pró-Reitoria medeia as ações que ocorrem tanto nas escolas municipais como nas estaduais. Além disso, são organizados eventos próprios. “Em abril deste ano, fizemos o Abril da Saúde, com mutirão que ocorreu no Campus Integração (CI)I. Depois, organizamos o Junho do Meio Ambiente, em conjunto com o Mercado Barrageiro, com atividades do curso de Saúde Coletiva, Biologia, Biotecnologia e Arquitetura”, enumera a docente.
Em breve, será aberto novamente um chamamento para coordenadores de projetos de extensão e para os cursos da UNILA, para que possam propor atividades para a próxima edição: o UNILúdica do Dia das Crianças, previsto para ocorrer em 12 de outubro, também no mezanino do Mercado Público. “No ano passado, nós trouxemos teatro, oficinas, jogos e contações de história, além de outras atividades que aconteceram aqui, neste espaço”.
Referência no atendimento a crianças e adolescentes com Altas Habilidades e Superdotação em Foz do Iguaçu, a Sala de Recursos da Escola Parigot de Souza organiza o evento alusivo ao 10 de agosto justamente para atender a esse público e aos seus pais ou responsáveis. “É para ter um espaço de discussão, de desafios, pois elas são crianças que adoram desafios, e de novidades”, sintetiza Cleonice da Luz dos Santos. Professora que está à frente da sala, Cleonice avalia a aproximação e a parceria com a UNILA como “extremamente necessária”. “Vejo que a universidade tem de estar próxima de nós, da escola pública, da sociedade, porque é a universidade que faz a pesquisa. Ali estão os estudiosos, os professores, os pesquisadores, e por que não traduzir isso para a gente, que está na sala de aula?”, contextualiza.
Altas habilidades e superdotação
Por vezes envolta em achismos e mitos, a condição de altas habilidades e superdotação é caracterizada por um conjunto de capacidades acima da média apresentadas por uma pessoa. Segundo a psicóloga Jéssica Galvão, é preciso que a criança apresente um desenvolvimento além daquele observado nos demais indivíduos. “Ele se envolve. Tem maior interesse e motivação por fazer essa atividade”, explica. “Estou falando de conceitos básicos, mas podemos pensar em comportamento também. É uma pessoa, não só a criança, que se motiva quando está engajada, que é curiosa, questionadora”, complementa.
Responsável por proferir a palestra direcionada aos pais no evento, Jéssica ensina, ainda, que a AH/SD pode ter como característica a precocidade, em que a criança apresenta determinados aspectos do desenvolvimento antes do esperado. “E não se restringe a aprender, mas inclui o próprio desenvolvimento da criança. O andar, o falar. É algo bem complexo ainda para se entender, mas, de forma básica, é isso”, conclui.
Experimentos despertam curiosidade pela ciência
No evento promovido pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) de Foz do Iguaçu, por mais de duas horas, dezenas de crianças e adolescentes com altas habilidades e superdotação (AH/SD) puderam ter contato com experimentos que demonstram fenômenos físicos, oferecidos por meio de programas de extensão em que os coordenadores aceitaram o convite do UNILúdica. Entre os trabalhos apresentados, estiveram demonstrações de ilusões de ótica, desenvolvidas no Laboratório de Eletrônica e Instrumentação da UNILA, com o uso de impressora 3D. Um dos experimentos simula uma holografia, com uma sensação de realidade. Outra experimentação, também de ilusão de ótica, utiliza um espelho para mostrar um mesmo objeto que, dependendo de como é disposto, parece mudar de forma no reflexo. Chamou a atenção ainda o Geiger-Müller, usado para detectar e medir radiação. Como explica o professor Edson Kakuno, ao ser ligado, imediatamente o aparelho emite um alerta visual, pois detecta a radiação vinda do espaço, a chamada radiação cósmica, e a radiação do meio ambiente, considerada natural.“[Porém] quando aproximamos algo que naturalmente já possui uma quantidade um pouco maior de material radioativo, como as ‘camisinhas’ para Lampião, que têm o tório [elemento químico metálico, cujo símbolo é Th e o seu número atômico é 90], acende não apenas a luz da indicação visual, mas também é emitido um som [zumbido]”, ensina. Também apresentado às crianças e aos adolescentes, o radiômetro chama atenção por assemelhar-se a um rotor, dentro de um bulbo de vidro, contendo pequenas palhetas giratórias, sendo uma das faces branca e a outra, escura – parecido com uma hélice. Ao incidir uma luz sobre o bulbo, esta ‘hélice’ começa a girar, sempre no sentido da palheta preta para a palheta branca. “Como eu tenho um pouco de ar lá dentro do bulbo, as partículas que batem do lado preto ganham mais energia [aquecem] e ganham uma velocidade maior. Com isso, a palheta do lado preto ganha um recuo. A mesma coisa acontece do lado da branca, só que o recuo do lado escuro é maior porque ele está fornecendo mais energia. Por isso, sempre gira do preto para o branco”, explica Kakuno. Já na parte dedicada às ciências biológicas, foi possível conhecer mais sobre animais como tamanduá-mirim, ratão-do-banhado e gato-do-mato, entre outros. Além de exemplares taxidermizados, foram apresentados materiais osteológicos, como crânios e maxilares, para demonstrar a riqueza biológica e aproximar os jovens do universo da pesquisa científica. |
