Institucional
Missão pioneira da UNILA à China fortalece cooperação acadêmica, tecnológica e cultural internacional
A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) realizou, neste primeiro semestre de 2026, uma missão institucional à China. A comitiva integrou uma delegação latino-americana que teve como anfitriã a Hangzhou Dianzi University (HDU), em parceria com a Associação de Intercâmbio Amistoso Paraguai-China. A visita teve como objetivo fortalecer a cooperação acadêmica, científica, tecnológica e cultural da UNILA com instituições chinesas, ampliando a inserção internacional da Universidade e consolidando uma agenda estratégica de aproximação entre a China e a América Latina por meio do ensino superior.
A comitiva foi integrada pela reitora Diana Araujo Pereira e pela pró-reitora de Relações Institucionais e Internacionais (PROINT), Suellen Mayara Péres de Oliveira. As atividades oficiais ocorreram na Hangzhou Dianzi University (HDU) e na Beijing Foreign Studies University (BFSU), instituições chinesas estratégicas para o desenvolvimento de parcerias em áreas como inovação tecnológica, inteligência artificial, robótica, agricultura inteligente, ensino de línguas, mobilidade acadêmica e intercâmbio intercultural.
Cooperação com a China
A aproximação da UNILA com instituições chinesas está alinhada à Política de Internacionalização da Universidade, que orienta as ações internacionais da instituição a partir de uma perspectiva própria, solidária, horizontal e comprometida com a integração regional. A cooperação com a China se apresenta como uma ação estratégica vinculada a dois projetos do programa de fomento à pós-graduação CAPES Global, do qual a UNILA faz parte. O programa tem por objetivo fortalecer o protagonismo internacional do Brasil e consolidar sua posição como parceiro estratégico em iniciativas globais, além de promover a cooperação mútua, o diálogo intercultural e o desenvolvimento sustentável.
Segundo as dirigentes que integraram a comitiva, a missão da UNILA à China responde a demandas concretas da comunidade acadêmica. Diana e Suellen destacam que, ao longo dos últimos anos, docentes, pesquisadores e grupos de pesquisa da instituição vêm desenvolvendo estudos, publicações e projetos sobre a China e a Ásia. São pesquisas que abordam temas como cooperação internacional, transformações geopolíticas contemporâneas, relações China–América Latina, ciência, tecnologia, inovação e integração regional.
“Especialmente no campo da Matemática e da Educação Matemática, por exemplo, a UNILA já sediou eventos vinculados a associações científicas, reunindo pesquisadores de diferentes instituições e fortalecendo sua inserção em circuitos acadêmicos nacionais e internacionais”, afirma a pró-reitora de Relações Institucionais e Internacionais.
Nesse contexto, a reitora destaca que a missão institucional à China fortalece uma agenda que já vinha sendo construída por diferentes frentes e gestões da universidade. “Ao articular a Política de Internacionalização da UNILA, as demandas de docentes e pesquisadores e as oportunidades abertas por instituições chinesas, como a HDU e a BFSU, a cooperação China–UNILA ganha densidade institucional e acadêmica. O processo conecta mobilidade, pesquisa, inovação, ensino de línguas, interculturalidade e cooperação Sul-Sul”, resume Diana Araujo Pereira.
Hangzhou Dianzi University (HDU)
A agenda na Hangzhou Dianzi University (HDU) incluiu reuniões com dirigentes e a apresentação institucional da universidade chinesa. A comitiva também visitou centros de pesquisa de ponta, como o Remote Reality Laboratory, o Large Equipment Laboratory Center, o Internet Research Institute, o Robotics Innovation Center, o Embodied Intelligence Center e a Tian Lifang Future Farm — espaço voltado à agricultura inteligente.
Um dos principais resultados da visita foi a assinatura de um Memorando de Entendimento entre a UNILA e a HDU, estabelecendo a base institucional para futuras ações conjuntas. A parceria abre possibilidades de cooperação nas áreas de engenharia, tecnologia, inteligência artificial, robótica, automação, agricultura inteligente e educação internacional.
Também ficou acordado que estudantes da UNILA em mobilidade acadêmica na HDU poderão participar de programas de estágio vinculados ao ecossistema tecnológico da instituição chinesa. Outro encaminhamento relevante foi a possibilidade de acesso e uso compartilhado de laboratórios da plataforma de realidade remota de experimentação, ampliando as oportunidades de formação, pesquisa aplicada e inovação para a comunidade universitária.
Durante a agenda em Hangzhou, a delegação também participou do China–South America International Chinese Language Education Symposium, de atividades voltadas ao ensino de língua e cultura chinesa, e de visitas técnicas a empresas de alta tecnologia, como a Libiao Robotics. Essas ações reforçaram o potencial de cooperação da UNILA com instituições parceiras em áreas estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico.
Beijing Foreign Studies University (BFSU)
Atualmente, a Beijing Foreign Studies University (BFSU) integra a lista de universidades parceiras da UNILA em acordos de mobilidade acadêmica, com vigência de 2025 a 2030. A instituição de ensino chinesa é reconhecida pela formação em línguas estrangeiras, estudos internacionais e diplomacia, com o ensino de mais de 70 idiomas, incluindo o português e o espanhol — o que dialoga diretamente com a vocação latino-americana, intercultural e multilíngue da UNILA.
O acordo prevê oportunidades para estudantes de graduação e pós-graduação, além de docentes e técnicos-administrativos, reforçando a dimensão institucional e de longo prazo da parceria. A primeira turma de intercambistas chineses chega à UNILA neste segundo semestre de 2026, com alunos de diferentes áreas que já possuem proficiência em espanhol.
A pró-reitora Suellen Mayara Pérez de Oliveira detalha que a vinda do grupo foi consolidada durante uma reunião bilateral. No encontro, foram definidos os últimos ajustes para o acolhimento acadêmico na instituição, incluindo a apresentação do alojamento estudantil, a organização do plano de estudos e as condições gerais de recepção e acolhimento acadêmico.
“A parceria com a BFSU tem relevância estratégica e simbólica para a Universidade. Além de fortalecer o ensino da língua e da cultura chinesa no Brasil, a cooperação também amplia possibilidades para o ensino de português e espanhol na China, contribuindo para a formação de estudantes e professores chineses interessados na América Latina”, comenta Suellen.
Instituto Confúcio
Em Beijing, a visita institucional à Beijing Foreign Studies University (BFSU) constituiu uma das etapas centrais da missão. A agenda teve como foco a consolidação da parceria para a instalação do Instituto Confúcio na UNILA, com a revisão do acordo de implementação. Também ficou acertada uma nova visita institucional para novembro, considerada o marco inicial da implantação do projeto na universidade. O Instituto Confúcio é uma rede mundial de organizações educacionais sem fins lucrativos, vinculada ao Ministério da Educação da China, criada para promover o ensino de mandarim e difundir a cultura do país pelo mundo.
“A instalação do Instituto Confúcio na UNILA também responde ao desenvolvimento regional e contribui para ampliar a agenda da cultura chinesa em Foz do Iguaçu. A iniciativa fortalece a cooperação acadêmica, a mobilidade internacional, o ensino de línguas, a inovação e o diálogo intercultural, consolidando o município como um importante elo entre o Brasil, a China e a América Latina”, menciona a reitora Diana Araujo Pereira.
De acordo com a reitora, cabe destacar que Foz do Iguaçu mantém uma relação amistosa e estratégica com a China, com destaque para a parceria de cidades-irmãs com Xiamen. Essa aliança tem gerado intercâmbios culturais, esportivos, turísticos e institucionais, além de iniciativas voltadas à difusão da cultura oriental, como a celebração do Ano Novo Chinês e o Dia Municipal do Mandarim. A participação do município na Aliança Internacional de Cidades Turísticas da Rota da Seda reforça essa aproximação.
Histórico de aproximação com instituições chinesas
A cooperação da UNILA com as universidades chinesas é resultado de um processo construído ao longo dos últimos anos. O diálogo em torno do Instituto Confúcio teve início em 2017, a partir de articulações com a Embaixada da China, a Prefeitura de Foz do Iguaçu e instituições parceiras. Em 2023, a universidade recebeu representantes da Beijing Foreign Studies University (BFSU) e da Embaixada da República Popular da China para estreitar os laços institucionais e viabilizar a instalação do centro cultural. Naquele momento, a BFSU foi definida como "universidade-irmã" da UNILA, devido à convergência entre os perfis institucionais de ambas.
Em 2024, a Reitoria recebeu uma comitiva chinesa composta por representantes de escritórios de ciência e tecnologia e de universidades da província de Hubei, com a finalidade de construir novas parcerias no setor tecnológico. Já em 2025, durante o Fórum de Reitores Brasil–China, realizado em Brasília, a UNILA firmou o acordo de mobilidade com a BFSU, ampliando as possibilidades de intercâmbio e cooperação acadêmica.
Ainda em julho de 2025, a instituição recebeu a visita do diretor de Relações Internacionais da Hangzhou Dianzi University (HDU), Wu Jian, acompanhado por representantes da Associação de Intercâmbio Amistoso Paraguai-China. O encontro constituiu uma etapa importante de preparação e amadurecimento da parceria, que culminou na recente missão institucional à China e na assinatura do Memorando de Entendimento com a HDU.
UNILA e China
A agenda institucional reafirmou a UNILA como uma ponte acadêmica, cultural e científica entre a China, o Brasil e a América Latina. Ao fortalecer as relações com as instituições asiáticas, a universidade consolida seu papel como plataforma estratégica do Sul Global, em total consonância com as diretrizes da cooperação Sul-Sul, do diálogo intercultural e da integração regional.
