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Episódio do ¿Qué Pasa? trata da prevenção ao suicídio e da importância da campanha Setembro Amarelo

Docente do curso de Medicina reforça que é preciso falar abertamente sobre o tema de saúde mental e procurar ajuda quando necessário
publicado: 27/09/2022 11h19, última modificação: 27/09/2022 14h34

Todo ano o tema volta à tona no decorrer deste mês e se torna necessário para reforçar que as pessoas não estão sozinhas e que podem pedir ajuda caso sintam forte sensação de sofrimento. O Setembro Amarelo é uma campanha que faz referência ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Sobre esse tema, a docente do curso de Medicina da UNILA Adriana Chalita Gomes reforça que as emoções e os sentimentos, sejam eles positivos ou negativos, fazem parte da natureza humana. Mas que é importante perceber quando se precisa de ajuda, principalmente se esses sentimentos alcançam um nível mais significativo para determinado indivíduo.

Como exemplo, a docente diz que se deve ficar atento quando a pessoa expressa sentimentos e sensações de tristeza, de raiva ou de angústia, e apresente dificuldade de avançar em atividades no seu cotidiano. “Muitas vezes, o indivíduo passa por dificuldades nas inter-relações e nas atividades que costumava fazer com mais rapidez, começa a ter dificuldade de elaboração mental e passa a demorar bem mais. A grande questão é perceber quando essas emoções negativas mais exacerbadas fazem com que a pessoa tenha um sofrimento psíquico em seu dia a dia”, diz a médica psiquiatra.

Ela reforça que todo sofrimento precisa ser avaliado e que todas as reações emocionais podem ser refletidas pela pessoa. Porém, quando o indivíduo começa a demonstrar um nível de sofrimento, isso precisa ser repensado e muitas vezes é necessário procurar ajuda de psicoterapia ou de uma avaliação psiquiátrica para entender o que de fato está levando a essa exacerbação emocional. E é nesse movimento de procurar ajuda com o profissional adequado que será avaliada a necessidade de um tratamento.

Adriana explica que a pandemia de Covid-19 levou mais pessoas a perceberem a necessidade de ajuda porque esse contexto modificou o cotidiano delas, seja pelo uso intenso de máscaras, pela necessidade de isolamento social, pela adaptação ao trabalho remoto, ou pelo fato de deixar de fazer atividades que antes eram consideradas prazerosas. “Por outro lado, vimos que uma série de determinados transtornos passou a ficar mais em evidência, como depressão, alteração de humor, angústia, falta de vontade, perda de interesse ou falta de perspectiva na vida. A depressão foi um desses transtornos que a gente viu que ficou mais em evidência, mas também a ansiedade generalizada e o transtorno do pânico”, conta.

Depressão, ansiedade e pânico

A médica aponta que esses três são tipos de transtornos muito comuns e que precisam ser bem avaliados e tratados, porque causam um sofrimento psíquico e uma intensa angústia. Ela explica que a depressão é um estado de alteração do humor e se observa aí um rebaixamento, uma tristeza, falta de perspectiva e de sentido na vida. “Se a depressão aconteceu, ela precisa de um tratamento. A gente não pode pensar que isso vai passar, pois corre o risco de ter prejuízos como a redução da qualidade de vida. A pessoa não precisa passar por isso e ficar nesse sofrimento sem ter que buscar ajuda, um tratamento. Não há porque estar deprimido e se manter deprimido”, afirma.

Já sobre a ansiedade generalizada, Adriana diz que se percebe um estado de alerta e de apreensão, como se a pessoa estivesse sempre pronta para alguma coisa que fosse acontecer e que, nesse caso, se trata de uma coisa ruim. “É como se existisse sempre uma dramaticidade, algo que fosse acontecer como uma tragédia. E isso gera uma série de sinais e sintomas, a pessoa geralmente tem uma tensão muscular, a frequência cardíaca está mais acelerada, e também a própria respiração. Há um desconforto, uma sensação de agonia, de aflição”, explica.

Quanto ao transtorno do pânico, ela explica que é o máximo de ansiedade que a pessoa esteja passando naquele momento, que pode ser sinalizado por uma série de sensações que são muito desconfortáveis, como falta de ar, dor no peito que irradia para o braço esquerdo, tontura, enjoo, dor de barriga, sudorese intensa ou uma sensação de estranheza em relação a si mesmo. “A pessoa geralmente tem uma inquietação, acha que pode enlouquecer ou que pode morrer e que aquilo não tem saída, por isso a importância de buscar atendimento nos equipamentos de saúde da cidade o mais rápido possível”, sinaliza.

A importância do Setembro Amarelo

Neste episódio, a médica explica que, muitas vezes, situações como as apontadas acima podem ser tratadas com psicoterapia ou com uso de medicação que deve ser receitada por um médico psiquiatra. E reforça que a percepção de questões de saúde mental não é sinal de fraqueza. “A pessoa não quer assumir que ela tem alguma ansiedade maior, algum ataque de pânico, uma obsessão ou compulsão justamente porque ela quer mostrar que é forte. Porém, esses sintomas podem representar apenas um momento específico e isso não quer dizer que a pessoa seja assim para o resto da vida”.

E por todo esse contexto, a docente destaca a importância da campanha do Setembro Amarelo, cujo objetivo é trazer orientações sobre o processo das emoções negativas e esclarecer que todos podem encontrar apoio para tratar de sofrimentos psíquicos. Ao encontrar um ambiente acolhedor, as pessoas em sofrimento psíquico também encontram uma rede de apoio com a qual podem se sentir mais confortáveis para expor o que sentem, e isso pode contribuir significativamente para evitar os riscos de suicídio. Ou seja, é uma oportunidade para falar abertamente de sofrimentos emocionais que, muitas vezes, têm solução.

“Se o que você vive parece causar sofrimento, procure por uma avaliação, já que tanto a psiquiatria como a psicoterapia podem auxiliar. A grande questão é que ninguém está aqui para ficar em estado de sofrimento e que isso pode ser revertido. E que as pessoas estejam abertas tanto para ouvir quem sofre como para quem sofre poder se expressar. Porque há solução, é um processo de saúde que tem que estar em primeiro lugar”, destaca a docente.

Quem perceber a necessidade de algum tipo de apoio pode procurar os seguintes equipamentos públicos em Foz do Iguaçu: o Centro de Atenção Psicossocial – CAPS Infantil, o CAPS II, o CAPSad (Álcool e Drogas) e o Ambulatório de Saúde Mental em Foz do Iguaçu.

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