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Consultório de Psicoterapia Assistida por Psicodélicos amplia possibilidades de pesquisa na UNILA

Espaço possibilita a realização de estudos voltados à saúde mental; design foi criado por estudantes de Arquitetura e Urbanismo
publicado: 06/02/2026 09h30, última modificação: 06/02/2026 09h35
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Consultório amplia as possibilidades de pesquisas na área da psicoterapia assistida por psicodélicos, além de servir como estudo de caso de Arquitetura

Os estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNILA tiveram, recentemente, um desafio diferente: criar o design para um consultório de psicologia assistida por psicodélicos (PAP). O trabalho surgiu de uma parceria entre o Laboratório de Cannabis Medicinal e Medicina Psicodélica (LCP) e o curso de Arquitetura, na disciplina de Design de Interiores. A atividade incluiu todo o estudo teórico e a parte prática, agregando conhecimentos valiosos para os estudantes.

De acordo com a professora Karine Queiroz, do curso de Arquitetura e Urbanismo, o projeto ocorreu no escopo da curricularização da extensão, em diálogo com a Usina Criativa (outro laboratório do curso). “A curricularização da extensão traz uma modificação propositiva para dentro dos cursos, que precisam ter o estudo de campo e essa questão de atendimento à comunidade, e ela se encontra nessa relação entre os dois laboratórios”, frisa. 

Para este trabalho, para atender às demandas específicas da PAP, os estudantes tiveram de utilizar o conceito de setting, “que é o espaço que abraça o paciente e oportuniza as relações de autoconstrução, de autopoiesis, que são promovidas pelo tratamento assistido com psicodélicos”, complementa Karine.

Consultório amplia as possibilidades de pesquisas na área da psicoterapia assistida por psicodélicos, além de servir como estudo de caso de Arquitetura

O espaço laboratorial foi concebido, assim, no intuito de prover aconchego e conforto, além da sensação de expansão do espaço, com efeitos promovidos pelo padrão de cores, iluminação, decoração, texturas, entre outros elementos que possam favorecer a introspecção do paciente com o atendimento. “Esta primeira sala usou como referências as formas e cores do cogumelo psilocybina, portanto, tem uma série de tons, cores e padrões orgânicos da natureza que são inspirados nos cogumelos”, detalha. A professora informa, também, que a expectativa é continuar trabalhando em parceria com o LCP semestralmente, ampliando o trabalho para as demais salas do laboratório. 

Mão na massa

O trabalho, porém, não foi apenas conceitual. A equipe envolvida no projeto colocou a mão na massa, partindo desde da coleta de materiais até a execução de partes da reforma. A estudante de Arquitetura Marizete Santos conta que foram 26 pessoas envolvidas no processo de criação, e um grupo menor na execução. “Teve um grupo, por exemplo, que ficou responsável pela pintura. Também passamos alguns finais de semana montando e colando bastidores, depois costurando”, conta. 

Outra parte do trabalho que demandou dedicação minuciosa foi a montagem do biombo de divisória, lembra Marizete. “Precisamos ter atenção a detalhes como conforto acústico, lumínico, do mobiliário. Pensamos em obras de arte e mobiliário que não oferecessem risco e que fossem confortáveis ao paciente e profissionais. Um dos quesitos foi inserir no projeto obras de arte e artesanato autorais, para incentivar o processo criativo dos estudantes”, acrescenta.

Para a futura arquiteta, o trabalho foi uma experiência enriquecedora. “Fazer a conexão entre a equipe de trabalho e os nossos ‘clientes’ (o laboratório, no caso), gerenciar essa equipe,  foi bem desafiador. Pois são muitas cabeças pensando sobre o mesmo assunto, cada uma com suas concepções de mundo, gostos particulares e tudo o mais”, destaca Marizete. “Minha parte favorita é a execução. Sou apaixonada por resultados. Entregar o projeto pronto e enxergar nos olhos dos clientes a satisfação de receber além do que pediram é muito bom”, completa.

A professora Karine ressalta a importância deste trabalho em parceria. “Ficamos muito felizes com essa oportunidade para os alunos de Arquitetura e Urbanismo”, diz. A expectativa, segundo ela, é a continuidade das atividades e a contribuição para a pesquisa científica. “Que a atenção e a replicação dessas metodologias nos façam acrescentar conhecimento, gerar artigos, publicações, tudo o que for possível.”

Trabalho surgiu da parceria entre o LCP e o curso de Arquitetura, no âmbito da curricularização da extensão

O que é PAP?

Conforme explica o coordenador do LCP, Francisney do Nascimento, “a Psicoterapia Assistida por Psicodélicos é um tipo de tratamento em que substâncias alteradoras de consciência são utilizadas em ambiente controlado, com supervisão médica e acompanhamento psicológico, para facilitar o acesso a conteúdos emocionais e promover processos terapêuticos. Durante a experiência, o cérebro fica mais sensível a estímulos e as barreiras psicológicas se flexibilizam, tornando o paciente mais aberto à reflexão e à vivência profunda de suas emoções”.

Por este motivo, é “fundamental que o consultório seja diferente de um espaço clínico comum: precisa ser acolhedor, confortável e cuidadosamente preparado — com iluminação suave, som adequado e atmosfera tranquila —, pois o ambiente influencia diretamente o tipo e a intensidade das experiências vividas, funcionando como uma extensão do próprio processo terapêutico”, salienta.

Pesquisas na área da medicina psicodélica posicionam a UNILA na vanguarda nessa área do conhecimento

De acordo com Nascimento, uma pesquisa sobre o tema já está em andamento na UNILA, o que posiciona a Universidade na vanguarda da pesquisa em medicina psicodélica no Brasil e na América Latina, seguindo a trilha de centros de referência globais como Imperial College e John Hopkins. “Embora existam centros internacionais com tradição nesse campo, no contexto brasileiro — e, particularmente, na América Latina — a UNILA vem se posicionando como uma das instituições pioneiras ao articular, de forma integrada, abordagens clínicas, neurocientíficas e arquitetônicas. Isso não significa que dominamos o campo, mas que estamos avançando por um território ainda pouco explorado, com a ambição de produzir conhecimento original e evidências relevantes”, completa.