Vida Universitária
8 de Março: mulheres latino-americanas e caribenhas na história

Recordar e valorizar histórias é não só inspirador, mas também faz parte da luta ainda necessária para que as mulheres possam ser respeitadas em toda a sua essência e potências. As mulheres aqui reunidas deixaram marcas profundas na história da ciência, da cultura e da sociedade e seguem orientando o presente e novas gerações a reivindicar direitos e construir um futuro mais justo.
Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, mulheres da comunidade acadêmica compartilham as trajetórias femininas que as inspiram e que ajudam a iluminar caminhos para a transformação.


- Foto: www.mupa.com.py
A paraguaia Serafina Dávalos, nasceu em 1877 em Ajo, hoje Coronel Oviedo, para ser a pioneira em duas frentes: é considerada a primeira feminista com relevância no país e a primeira advogada.
Em uma época em que as mulheres eram excluídas do pleno exercício da cidadania e da vida profissional, ela entrou em espaços que lhes haviam sido fechados, questionou normas consideradas imutáveis e articulou ideias muito à frente de seu tempo.
Foi responsável pela fundação e criação de instituições e movimentos feministas no Paraguai no início do século XX, ou seja, durante o pós-guerra da Tríplice Aliança. Entre as instituições criadas por ela estão o Centro Feminista Paraguaio, a União Feminina do Paraguai e a Liga Paraguaia para os Direitos das Mulheres.
Em 1907, ela tornou-se a primeira mulher a graduar-se na faculdade de Direito da Universidade Nacional de Assunção, onde mais tarde viria a ser também a primeira professora. Em sua tese, “Humanismo”, ela equipara o feminismo ao humanismo – uma nova forma de ver, pensar e construir as relações entre as pessoas e na sociedade. Lésbica, ela questionou a subordinação legal e social das mulheres e defendeu ideias que permanecem essenciais para a democracia: igualdade civil, acesso à educação, autonomia econômica e participação na vida pública.
Teve participação efetiva na Suprema Corte de Justiça. Sua prática e postura a colocam nas origens da crítica ao patriarcalismo e da defesa dos direitos humanos na América Latina. E é considerada uma figura fundamental na luta pelo direito ao voto feminino, estabelecido em 1961, durante a ditadura do general Alfredo Stroessner.
No dia 24 de fevereiro deste ano, Dia da Mulher Paraguaia, o retrato de Serafina Dávalos foi adicionado à Galeria de Heroínas e Heróis das Américas da Organização dos Estados Americanos (OEA).
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“Serafina Dávalos tem uma importância histórica relativa ao movimento feminista no Paraguai e às origens da crítica ao patriarcado na América Latina. Além de ter sobrevivido ao complexo contexto político e econômico do Paraguai de sua época, se tornou uma personagem proeminente a partir de um ambiente profissional e acadêmico muito masculino e que certamente determinou suas ideias, seu posicionamento político.” Débora Cota, docente de Letras da UNILA |
Para saber mais:
Humanismo - Tese de Serafina Dávalos
Página dedicada a Serafina Dávalos no site Voces de Museos y Patrimonios (Mupa)
Documentário Alquimistas: Historia de las Mujeres en Paraguay
Serafina Dávalos: Feminista, livro de Rocco Carbone
Curta-metragem Hijas de Púa, de Sady Barrios


- Foto de: Rodrigo Ladeira
Com uma produção ligada a questões sociais, étnicas e de gênero, a artista plástica Rosana Paulino tem ganhado o mundo com uma produção emblemática e potente sobre a história da questão racial no Brasil, particularmente das mulheres negras.
Nos últimos anos, ela tem se destacado com exposições importantes em Nova York (2025); Buenos Aires (2024); Alemanha (2022) e Bélgica, entre outras. Também possui obras em museus como o Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Malba); University of New Mexico Art Museum (EUA), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM); Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte de São Paulo (MASP) e Museu Afro-Brasil (SP).
Seus trabalhos têm como foco principal a posição da mulher negra na sociedade brasileira e os diversos tipos de violência sofridos por esta população decorrente do racismo e das marcas deixadas pela escravidão. A sua pesquisa e produção são fundamentais para a arte brasileira, por sua prática de reconstrução de imagens, memórias, histórias e mitologias.
Em 1994, um ano antes de obter o título de bacharel em Artes Visuais, pela USP, Rosana ganhou visibilidade com a instalação “Parede da Memória”, uma grande composição formada por diversas fotos de seus familiares impressas sobre tecido, retocadas com aquarela, preenchidas de algodão e emolduradas com bordado manual, remetendo aos patuás. A obra provoca reflexões sobre os rostos, identidades e histórias perdidas de tantas pessoas negras anônimas na sociedade.
A partir dali, a paulistana, hoje com 58 anos, não parou mais. Paralelamente à sua produção, continuou seus estudos, obtendo doutorado em Artes Plásticas pela USP, além fazer uma especialização em gravura pelo London Print Studio, de Londres.
Sua exposição individual mais recente (2025) Diálogos do Dia e da Noite, ganhou espaço na Mendes Wood DM, em Nova York (EUA). Em 2022, Rosana Paulino recebeu o prêmio Konex Mercosur de Artes Visuais, concedido às personalidades mais relevantes do bloco em atividade na última década. E em 2024, foi agraciada com o Munch Award (Noruega).
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“A trajetória e a produção de Rosana Paulino são inspiradoras e promovem um debate muito profundo sobre a construção histórica da população negra no Brasil, particularmente das mulheres. Assim, me parece importante que nossa comunidade conheça e se inspire nessa mulher que é uma referência nas artes, além de ser um nome importante no mundo acadêmico, já que é doutora em artes pela ECA-USP”. |
Para saber mais:
Rosana Paulino - site
Entrevista para o Sesc TV
AniMAM – Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro


- Foto: arquivo pessoal via Conexão UFRJ
Izabel Maior é referência quando se fala de políticas públicas para inclusão de pessoas com deficiência. Médica e docente universitária (hoje aposentada), ela foi também a primeira pessoa com deficiência a assumir a Coordenação da Política de Inclusão da Pessoa com Deficiência, em 2002, mais tarde transformada em Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Ali, ela ficou até 2011. A partir daí, seus sucessores passaram a ser também pessoas com deficiência.
Foi em 1976, aos 22 anos, quando cursava o quarto ano de Medicina que ela se tornou deficiente. Perdeu os movimentos após uma cirurgia. A reabilitação possibilitou que andasse com bengalas, mas um tombo, 21 anos depois, a devolveu para a cadeira de rodas.
Enquanto se recuperava da cirurgia, continuou seus estudos, especializando-se em fisiatria. Seu tempo no centro de reabilitação a ajudou a pensar em políticas públicas. Começou, então, a participar de movimentos de pessoas com deficiência, que ganharam força a partir de 1981, definido como o Ano Internacional da Pessoa com Deficiência.
Seu engajamento a levou à Assembleia Constituinte, onde participou da construção de nossa atual Constituição, promulgada em 1988. Em 2006, na Organização das Nações Unidas (ONU), participou da elaboração da Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência e, em 2010, o reconhecimento da Organização dos Estados Americanos (OEA) por sua contribuição ao desenvolvimento de um continente mais inclusivo.
Sempre ligada aos movimentos e organizações ligadas à inclusão, acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência, Izabel Maior também lançou o livro e o documentário História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil.
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"Nossa vida tem muitas mulheres que inspiram. Uma delas, reconhecida na sua condição de deficiência, é a Izabel Maior. É importante que aqueles que queiram compreender melhor o movimento político das pessoas com deficiência no Brasil, conheçam um pouco da história dessa mulher. As pessoas com deficiência devem ser visibilizadas a partir do que elas são – e são muitas coisas. Não uma única condição." Ana Paula Araújo Fonseca, docente da área de Educação da UNILA |
Para saber mais:
História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil


- Foto: Memórias da Ditadura
Símbolo da resistência feminina na América Latina, Soledad Barrett Viedma teve de viver no exílio desde muito jovem, para fugir da repressão da ditadura do general Alfredo Stroessner, no Paraguai, país onde nasceu, em 1945.
No exílio, passou por países como Uruguai, Cuba e Brasil. Essa vivência internacional moldou sua consciência política e seu compromisso com a luta contra o autoritarismo, o imperialismo e as desigualdades sociais. No Brasil, atuou na resistência à ditadura militar, especialmente em Pernambuco, participando de organizações de esquerda, como a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a partir de 1971.
Soledad denunciava também o machismo presente na sociedade e dentro dos próprios movimentos revolucionários, defendendo que a libertação das mulheres deveria ocorrer junto com a transformação social.
Em 1973, com apenas 28 anos, foi assassinada pelas forças da ditadura, em Pernambuco, e tornou-se símbolo das mulheres vítimas da repressão política. Seu legado inspira o feminismo latino-americano ao afirmar o protagonismo das mulheres, a defesa dos direitos humanos, a memória histórica e a participação feminina na vida política e social.
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“Escolhi Soledad Barrett Viedma porque, como mulher paraguaia, educadora popular, lésbica e migrante, reconheço no exílio uma experiência constante de resistência. Sua trajetória expressa a luta cotidiana contra sistemas patriarcais, políticos e sociais que tentam nos silenciar. Identifico-me com sua coragem de atravessar fronteiras físicas e simbólicas, transformando a dor do deslocamento em ação política, educação e afirmação da existência das mulheres dissidentes na América Latina.” |
Para saber mais:
"Soledad no Recife", livro de Urariano Mota
“Muerte de Soledad Barrett” (ou “Soledad Barrett”), canção de Daniel Viglietti e Mario Benedetti
No teatro, peças como "Soledad: a terra é fogo sob nossos pés" (Brasil) e “El regreso de Soledad Barrett” (Paraguai) levam sua trajetória aos palcos, articulando memória, feminismo e resistência.
Também é possível encontrar na web entrevistas e materiais audiovisuais que abordam sua vida, seu assassinato e seu legado, incluindo os arquivos da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, de Pernambuco.


- Foto: Marcos Solivan, SUCOM - UFPR
Danúncia Urban é uma mulher das ciências desde uma época em que a ciência ainda não era um espaço ocupado por muitas mulheres. Hoje, aos 93 anos e com mais de 60 dedicados à entomologia, ela está entre os maiores taxonomistas de abelhas do mundo, tendo descoberto 20 novas espécies e descrito mais de 300.
Quando escolheu as abelhas como foco de sua pesquisa, ainda na década de 1950, foi uma das pioneiras no ramo da Zoologia. Em 1961, publicou seu primeiro trabalho sobre taxonomia de abelhas e sua primeira grande revisão taxonômica em 1967. Ela se aposentou da docência em 1991, porém continuou com suas pesquisas até 2015, sendo seu trabalho usado continuamente como base para novas descobertas.
Danuncia Urban publicou mais de 100 artigos científicos, 11 capítulos de livros, além de ter organizado o “Catálogo das Abelhas na Região Neotropical”, uma referência para o assunto na atualidade.
Recebeu vários prêmios, entre eles o da Sociedade Brasileira de Zoologia, que reconheceu seu comprometimento e a qualidade de seus trabalhos. E em 1995, foi nomeada Doutora Honoris Causa pela UFPR, instituição em que trabalhou como pesquisadora e docente, tendo participado da fundação do curso de Pós-Graduação em Entomologia.
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“Conheci a professora Danúncia no início dos anos 2000, quando ela já era pesquisadora sênior. Apesar de ser reconhecida como uma das três maiores taxonomistas de abelhas da segunda metade do século XX e primeira década do século XXI, sempre foi extremamente generosa e cuidadosa com os estudantes da pós-graduação, contribuindo com a formação de estudantes ao tirar dúvidas complicadíssimas de taxonomia, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Em 2021, a coleção de Entomologia da UNILA foi nomeada em sua homenagem.” Elaine Soares, docente do curso de Ciências Biológicas da UNILA e chefe do Departamento de Ações e Curricularização da Extensão (DACEX) |
Para saber mais:
Ensaios sobre as abelhas da região neotropical: homenagem aos 80 anos de Danuncia Urban
Danuncia Urban - 80 anos
Danuncia Urban, uma precursora na taxonomia das abelhas
Coleção Entomológica Danúncia Urban
Coleção Entomológica Danúncia Urban – CEDU UNILA
Livro - Danuncia Urban: a life devoted to Entomology - Ensaios sobre as Abelhas da Região Neotropical: Homenagem aos 80 anos de Danuncia Urban


- Patria, Minerva e Maria Teresa - https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0
Patria, Minerva e Maria Teresa, as irmãs Mirabal, não deixaram o medo se sobrepor à luta contra as injustiças e desmandos do ditador Rafael Trujillo, um governante centralizador, que silenciava a oposição e caçava dissidentes. Por sua resistência, elas estavam entre os principais alvos do governo.
O ativismo político das irmãs se concentra no final dos anos 1940 e anos 1950. Minerva foi a primeira a iniciar su8as atividades, quando ainda estava no colégio, e logo foi seguida por suas irmãs, motivadas, entre outras coisas, pelo testemunho da violência do regime contra aqueles que se opunham às ideias de Trujillo. Ela foi a primeira mulher a se formar em Direito no país, mas seu diploma foi cassado e sua licença para exercer a profissão recusada, como retaliação.
As três fundaram o Movimento Revolucionário 14 de Junho, em homenagem a um grupo de opositores que foram torturados e mortos nesta data, em 1959. No grupo, as irmãs eram conhecidas como “Las Mariposas” ( “As Borboletas”). A criação do movimento agravou a situação política em que as três se encontravam. Semanas depois, Minerva e Maria Teresa foram presas, mas a crescente oposição internacional ao regime evitou que fossem torturadas. Mais tarde foram libertadas.
Em 25 de novembro de 1960, ao voltar de uma visita aos maridos que estavam presos, as três foram abordadas por homens a serviço de Trujillo. Foram espancadas e estranguladas. Morreram jovens: Patria tinha 36 anos, Minerva, 34 e Maria Teresa, 25. A tentativa do regime de fazer parecer um acidente de carro fracassou e o assassinato desencadeou uma onda de protestos pelo país e na comunidade internacional. Seis meses depois, Trujillo também foi morto.
Foi a partir dos anos 1990 que as irmãs passaram a ser reconhecidas como símbolo de justiça social e feminismo, inspirando a criação de organizações centradas em ações sociais. Em 1999, a data da morte das irmãs Mirabal – 25 de novembro – foi declarada pela ONU Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.
| “As Irmãs Mirabal representam a força política revolucionárias das mulheres latino-americanas, lutando contra o regime de Rafael Trujillo. Ao mesmo tempo, o forma cruel com que perderam a vida, estranguladas e espancadas até a morte, nos lembram, até hoje, que ainda há muito a percorrer para um mundo sem violência, sobretudo, livre da violência contra a mulher.” Andréia Moassab, docente do curso de Arquitetura da UNILA e Pró-reitora de Extensão |
Para saber mais:
No tempo das borboletas – filme de Mariano Barroso, 2001
Trópico de sangre, filme de Juan Delancer, 2010
O grito das mariposas, série de televisão, 2023
Nombre secreto: Mariposas, documentário


- Arquivo Geral da Nação, Departamento de Documentos Fotográficos em https://www.chacaritamoderna.com
Em meio a uma Buenos Aires que aprendia a se pensar moderna, Itala Fulvia Villa estava presente, mas somente agora começa a ficar, de fato, visível na história da arquitetura argentina.
Nascida em 1913, na capital argentina, Itala foi uma das primeiras mulheres a graduar-se em Arquitetura pela Universidad de Buenos Aires, em 1935 — a sexta do país. Em um ambiente acadêmico majoritariamente masculino, sua presença já representava um gesto de audácia e enfrentamento à falta de familiaridade com que a presença feminina era encarada no espaço acadêmico.
Profissional ativa, respeitada e integrada aos debates centrais da arquitetura argentina, foi no Grupo Austral, formado no final da década e 30, que Itala consolidou seu espírito renovador. Ao lado de jovens arquitetos comprometidos com a modernização das cidades – ela era a única mulher no coletivo, formado por outros 12 homens –, participou da formulação de propostas urbanísticas que dialogavam com os princípios de uma arquitetura moderna.
Itala dedicou-se sobretudo ao urbanismo. Em 1945, obteve o Primeiro Prêmio no VI Salão Nacional de Arquitetura com uma proposta de urbanização para Bajo Flores — um bairro-parque voltado à moradia popular. Esse é considerado um de seus projetos mais conhecidos, realizado em parceria com Horácio Nazar.
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“A arquiteta Itala Fulvia Villa teve um papel de destaque no Grupo Austral, no período modernista da arquitetura argentina. Ela foi uma das únicas mulheres a se destacar no Urbanismo - área que costuma ter uma maioria masculina em papéis relevantes, assim como a Arquitetura. O curioso é que, na atualidade, a maioria de formados no curso de Arquitetura e Urbanismo é feminina - mas ainda há uma prevalência de homens laureados pelo Pritzker, o 'Oscar' desta área. Ao escolher a arquiteta Itala como uma mulher latino-americana de referência, faço aqui também a homenagem a uma ex-colega de trabalho da UNILA: a arquiteta Soraya Jebai Quinta, que atualmente está trabalhando na Unifesp. Antes disso, Soraya apresentou a história de Itala em sua dissertação de mestrado, sendo ela mesmo uma referência profissional. A ética, a excelência e o comprometimento sempre nortearam sua atuação”. Livia Yu Iwamura Trevisan, arquiteta e urbanista e técnica-administrativa da UNILA |
Para saber mais:
Itala Fulvia Villa: uma mulher na arquitetura moderna argentina (1913-1991)
Arquitetas. Maestras del espacio: Ítala Fulvia Villa


- Foto: Matheus Gomes - https://www.pucrs.br/
A trajetória de Marília Morosini a tornou uma das mais influentes pesquisadoras no campo da educação superior na América Latina, figurando no Latin America Scientist and University Education Rankings por suas contribuições científicas e o impacto em sua área de atuação, especialmente no que diz respeito à internacionalização do ensino superior.
Além de figurar entre os 100 pesquisadores mais influentes, o ranking também a coloca entre os 50 cientistas que mais publicaram nos últimos 5 anos. Mais do que números, o ranking reflete o impacto de uma carreira dedicada a pensar a universidade — seus desafios, transformações e seu papel na formação de sociedades mais diversas, equitativas e conectadas globalmente.
Docente aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marília mantém intensa atividade acadêmica, atuando na pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde também coordena o Centro de Estudos em Educação Superior.
Nos últimos anos, sua produção intelectual tem se voltado ao estudo do conhecimento e da pedagogia universitária. Entre as obras que organizou ou coordenou estão projetos editoriais de grande fôlego, como a Enciclopédia de Pedagogia Universitária, o Glossário de Pedagogia Universitária, a Enciclopédia Internacional de Educação Superior para os Países de Língua Portuguesa e a Enciclopédia Brasileira de Educação Superior.
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A professora Marilia Morosini é uma referência por sua liderança acadêmica, visão estratégica e compromisso com a Educação Superior na América Latina. Quando decidi o tema que gostaria de investigar no doutorado, a formação dos professores no contexto da Internacionalização da Educação Superior, sabia que era ela a pessoa mais indicada no país para orientar minha pesquisa. Durante o doutorado, aprendi a respeitá-la e admirá-la ainda mais ao vivenciar, de forma próxima, sua atuação como docente, pesquisadora rigorosa e orientadora dedicada de estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado. Sua forma generosa e exigente de orientar, aliada a uma postura acadêmica colaborativa e profundamente humana, construiu entre nós uma relação de confiança decisiva para minha formação acadêmica e pessoal. Ainda hoje seguimos como amigas e parceiras de pesquisa, publicando e desenvolvendo projetos em conjunto, o que demonstra que sua orientação ultrapassa o tempo formal do doutorado e se transforma em cooperação acadêmica duradoura. Mais do que uma referência intelectual, Marilia é exemplo de liderança, integridade e compromisso com a Educação. Vanessa Gabrielle Woicolesco, técnica em assuntos educacionais da UNILA |
Para saber mais:
Enciclopédia Brasileira de Educação - volume 1 e volume 2
Enciclopédia de pedagogia universitária
Futuros da Educação Superior: tendências e cenários em contextos emergentes
