Tecnologia e Inovação
UNILA inicia construção de edificação inovadora no Campus Integração

O projeto Ombo'éva (que em guarani quer dizer “Quem ensina”) será mais um dos atrativos do Campus Integração da UNILA. Uma parceria da Universidade com a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) e com a Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (FEESC), a edificação no conceito Nearly Zero Energy Building (Nzeb) – ou “construções com energia quase nula", em tradução livre – está sendo erguida em frente ao Bloco de Alojamento B.
As atividades no canteiro de obras tiveram início em janeiro. Quando estiver finalizado, o espaço funcionará como um laboratório multiusuário para o desenvolvimento de pesquisas. “O Nzeb possibilitará a visitação a uma edificação inteligente e sustentável, de modo a fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias na área da construção civil. Por sua localização estratégica na região da tríplice fronteira, almeja-se que o Nzeb da UNILA desperte o conhecimento e propague a ideia da viabilidade de outras edificações Nzeb nos arredores”, afirma o prefeito universitário, professor Ivan Araujo.
Edificação inovadora
Com cerca de 150 metros quadrados de área útil, o projeto foca em um modelo de construção de baixo consumo energético e hídrico, adaptado às condições climáticas e à realidade socioeconômica do Brasil e da América Latina. A concepção da edificação buscou conciliar a hibridização de modelos construtivos, técnicas de conforto térmico, energias renováveis e sistemas inteligentes. “Outro ponto importante no Nzeb é o detalhamento do projeto de automação, que abrange os sistemas de gerenciamento de energia, iluminação, condicionamento de ar, geração fotovoltaica e Building Management System”, complementa Araujo.
De acordo com o coordenador institucional do projeto, professor Ricardo Hartmann, o projeto de um edifício no modelo Nzeb na UNILA veio como uma consequência das pesquisas realizadas por docentes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e das Engenharias e por estudantes de graduação e pós-graduação. “Essa é uma tendência que vem se consolidando na área de edificações no sentido de contribuir para a eficiência energética e a descarbonização da economia, bem como para o aumento da eficiência das cidades”, ressalta.
“O projeto foi desenvolvido utilizando a localização geográfica da cidade e as condições ambientais de temperatura, pressão e umidade, e foi concebido para tirar proveito da quantidade de sol que temos em Foz do Iguaçu durante o ano, da luminosidade solar e do vento. Tudo isso para que a edificação tenha um comportamento térmico que seja agradável para os ocupantes. Então, a ideia é que a construção utilize pouca energia com ar condicionado, com iluminação e com eventual aquecimento. Além disso, ela irá produzir energia através de painéis fotovoltaicos.
Assim, a edificação vai consumir o mínimo de energia elétrica vinda da rede externa, produzindo mais energia do que consome. Ou seja, ela irá exportar energia para a rede”, explica Hartmann.
O professor Egon Vettorazzi, que é membro da equipe do Nzeb da UNILA e foi um dos propositores do projeto, salienta que a iniciativa representa um encontro entre inovação tecnológica e saberes construtivos consolidados reinterpretados para os desafios da atualidade. “O Nzeb da UNILA expressa um compromisso institucional que integra inovação, respeito à tradição e sustentabilidade, contribuindo para a formação de profissionais preparados para os desafios climáticos contemporâneos e para a transição energética”, frisa o docente.
Depois de inaugurada, a edificação deverá ser aberta à visitação por, pelo menos, dois anos consecutivos. Como as construções Nzeb atraem visitantes de todo o mundo interessados em conhecer soluções ambientais, o local será um ativo acadêmico e turístico para a UNILA e para a cidade. Além das visitas, estão previstas palestras, cursos, treinamentos e seminários para demonstração e disseminação das técnicas e tecnologias presentes no projeto. “A edificação vai ser construída em um campus da UNILA que tem fácil acesso da população e que está na rota de turismo da cidade, e qualquer pessoa, seja da comunidade acadêmica ou externa, poderá visitar e conhecer os sistemas que estarão lá aplicados. Ou seja, a importância desse projeto é que iremos disseminar o conhecimento de forma ampla, tanto para leigos quanto para especialistas. Além disso, é importante ressaltar que no Brasil, dentro do edital da Procel, são apenas quatro edificações Nzeb. Então, a UNILA, por meio desse projeto, entra na rota de discussão de eficiência energética em âmbito nacional”, destaca a professora Katia Punhagui, que também compõe a equipe do Nzeb da UNILA e foi uma das propositoras do projeto.
Escolha do local da construção
O Nzeb é um edifício concebido para apresentar balanço energético próximo de zero, princípio que orienta todas as decisões técnicas do projeto. Para a definição do local de implantação do projeto, foram considerados aspectos energéticos, os condicionantes da legislação urbanística vigente e o adequado aproveitamento da infraestrutura urbana existente no Campus Integração, em atendimento às seguintes necessidades:
- Maximização da insolação na edificação: para otimizar a eficiência da captação de energia solar, as placas fotovoltaicas não devem sofrer qualquer tipo de sombreamento. Dessa forma, para assegurar que não seja construída outra edificação que venha a sombrear o Nzeb, optou-se por construí-lo com a frente voltada para a via principal do Campus Integração, uma área que abriga estacionamento, sem possibilidade de novas construções;
- Diminuição do custo de execução da obra: opção por um local urbanizado, que já esteja servido de redes de água, esgoto, energia e internet;
- Máxima eficiência de energia limpa: para que esse desempenho seja alcançado, é essencial que as placas fotovoltaicas instaladas na edificação não sofram sombreamento, garantindo a máxima eficiência na geração de energia. A partir de análises para viabilidade do local, tornou-se necessária a supressão de árvores localizadas na área destinada à implantação do edifício no Campus Integração, uma vez que as espécies existentes comprometem a incidência solar sobre os painéis fotovoltaicos;
- Regulamentação: aprovação dos projetos pelos órgãos competentes, incluindo a autorização para supressão vegetal e a respectiva compensação ambiental, formalizada por meio do Ibama. Como compensação ao impacto da construção da edificação, a UNILA irá realizar a doação de 110 mudas de espécies nativas ao Horto Municipal. Esse alinhamento se deu em 2025, por meio de tratativas da Universidade com o Instituto Água e Terra (IAT) e com a Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu.
Histórico do projeto
A edificação foi projetada por uma equipe de professores e estudantes da UNILA, em 2019, e, no ano seguinte, o projeto foi um dos quatro selecionados pelo Edital Procel Edifica Nzeb Brasil, sendo contemplado com um financiamento de R$ 994 mil pela então Eletrobras, atual ENBPar.
Em 2021, a equipe técnica da Prefeitura Universitária passou a capitanear o projeto para detalhamento e submissão aos órgãos competentes. No mesmo ano, também foram iniciadas as tratativas com a FEESC, culminando com a assinatura de um convênio entre a UNILA, a ENBPar e a Fundação em novembro de 2024. Na ocasião da assinatura, a UNILA disponibilizou uma contrapartida de R$ 947 mil, com aprovação do projeto pelo Conselho Universitário (CONSUN) em 2025.
Já no último mês de novembro, a FEESC promoveu uma seleção pública para a construção do Nzeb. A empresa vencedora foi a Xlam Brasil, sediada em Santa Terezinha de Itaipu/PR. Assinado no dia 9 de janeiro deste ano, o contrato tem o valor de R$ 1,39 milhão, com um prazo de execução de 12 meses.
O valor restante disponibilizado ao projeto será empregado em outras duas contratações: execução da automação e certificações inerentes ao Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações (PBE Edifica), exigências do edital a que o Nzeb foi submetido.
