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UNILA concede título de Doutora Honoris Causa à Iyalorixá Marina de Tunirê

Honraria foi concedida em memória e como reconhecimento à extraordinária trajetória de Marina Aureo Galdino em prol da luta antirracista e da valorização dos saberes ancestrais
publicado: 28/04/2026 20h09, última modificação: 28/04/2026 20h20

O Conselho Universitário da UNILA realizou a entrega do título de Doutora Honoris Causa em memória da Mãe Marina de Tunirê (Marina Áureo Galdino). Realizada no dia 24 de abril, no Auditório Lélia Gonzalez do Campus Integração, a sessão solene contou com a presença de lideranças negras, sociais, políticas, acadêmicas e religiosas da região, em especial do Ilê Axé Ogum Funmilayo.

Para muitos dos presentes, mais do que uma solenidade, a concessão do título à Mãe Marina conferiu à UNILA o lugar de reconhecimento dos valores ancestrais que permeiam a cultura regional. Foi um encontro de respeito à ancestralidade e de valorização das contribuições que fortalecem tanto a universidade quanto a sociedade. Além disso, a cerimônia reforçou a missão da instituição em promover a integração entre saberes diversos, contribuindo para uma compreensão mais plural e inclusiva do conhecimento, para o enfrentamento ao racismo e à discriminação, e para a promoção da igualdade racial e dos direitos humanos.

A Reitora Diana Araujo Pereira, durante a presidência do ato solene, destacou o papel da universidade em salvaguardar a memória e a ancestralidade africana e afro-brasileira na Tríplice Fronteira. “Esta cerimônia é uma marco na nossa história, porque a UNILA, para cumprir sua missão, precisa atuar também na integração entre saberes que confere dignidade aos diversos grupos sociais. O reconhecimento da trajetória de Mãe Marina, voltada à luta antirracista e à valorização das culturas e religiões presentes na região, coroa ainda o protagonismo de mulheres fortes, potentes e inovadoras na Universidade”.

A concessão do título de Doutora Honoris Causa é o reconhecimento, por parte da universidade concedente, da excelência e das contribuições notáveis e excepcionais às artes, às ciências, à cultura ou à humanidade, independentemente da formação acadêmica formal. O processo para a concessão do título à Iyalorisá Marina Tunirê foi aberto e aprovado em outubro de 2025, em sessão do Consun, e teve como principal fundamento a valorização da ancestralidade africana e afro-brasileira, o fomento à cultura e a promoção da igualdade racial.

Para Angela Souza, professora da UNILA e coordenadora do NEALA (Núcleo de Estudos Afro-Latino-Americanos e Caribenhos), que também prestou homenagem na cerimônia, “temos que ter a responsabilidade institucional enquanto universidade de pensar estas questões e o legado milenar das populações negras e indígenas. A trajetória de Mãe Marina foi determinante para ações institucionais e para as práticas teórico-metodológicas dentro da universidade. A universidade precisa realizar reconhecimentos como este de forma mais frequente e valorizar o conhecimento ancestral que nos forma, como estamos fazendo aqui hoje, homenageando o protagonismo de Mãe Marina e a herança cultural que deixou para a UNILA, Foz do Iguaçu e região.”

Cristiane Aureo Galdino, filha de Mãe Marina, lembrou toda a trajetória e o início da construção do seu legado de Axé em Foz: “Ela pensava no hoje há 40 anos, quando acatou a missão de vir para cá. Minha mãe transbordava amor, mas era uma mulher firme, que não media palavras para dizer algo e que dava força para a família e toda a comunidade para enfrentar o racismo cotidiano. Eu considero este momento e reconhecimento uma vitória muito grande pela luta da minha mãe na fronteira, porque ela foi uma pessoa que nasceu para existir, resistir e deixar esse ensinamento para a gente”.

A sessão solene foi encerrada por Kiara Silva, estudante do curso de Antropologia da UNILA e responsável por conduzir a cerimônia, que agradeceu a todos os presentes pela oportunidade e pelo acolhimento recebido do Ilê Axé Ogum Funmilayo.

 Trajetória

Mãe Marina Tunirê destacou-se pelo compromisso permanente com a valorização da ancestralidade africana e afro-brasileira, com o fomento à cultura e com a promoção da igualdade racial. Sua atuação em defesa da diversidade cultural e na promoção do diálogo entre distintas culturas e religiões abriu caminhos e deixou um legado cultural para Foz do Iguaçu e região. 

Destacou-se, em vida, na região da Tríplice Fronteira (Argentina–Brasil–Paraguai) pela liderança religiosa e política, estabelecendo com a Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA diversas parcerias, especialmente em ações de extensão no campo da educação para as relações étnico-raciais, defesa da diversidade religiosa, das tradições africanas e afro-brasileiras e da cultura de matriz africana. Foi também a primeira presidenta do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial da cidade de Foz do Iguaçu, atuando como interlocutora junto ao poder público municipal e estadual. 

Marina Áureo Galdino participou de inúmeras atividades em escolas e colégios, promovendo a educação para as relações étnico-raciais como princípio democrático fundamental, garantia de direitos humanos e promoção da igualdade material, bem como do reconhecimento da diversidade, aspectos essenciais no combate ao racismo estrutural e na valorização da história e da cultura dos grupos étnicos, especialmente afro-brasileiros e indígenas. Assumiu compromissos com a promoção da igualdade racial na cidade, sendo central na articulação da primeira Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial e na organização e apresentação das demandas dos povos tradicionais de terreiro junto ao poder público municipal e estadual.

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Fotos: Judley Cesaire e Moises Bonfim / SECOM