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Vida Universitária

Iniciativas da comunidade acadêmica consolidam a formação de blocos que compõem o carnaval de Foz do Iguaçu

Ao som de cuíca, repique e tamborim, os blocos trabalham memória, cuidado, tradições e resistências
publicado: 08/02/2024 09h01, última modificação: 09/02/2024 10h51

Carnaval é momento de diversidade, alegria e união. E nos blocos formados pela comunidade unileira não poderia ser diferente, não é mesmo? São muitos os coletivos que se formam para aproveitar este momento de diversão, tem para todos os gostos e aqui vamos mostrar alguns blocos formados por pessoas ligadas à UNILA, principalmente na coordenação. Então segue aí uma mistura que envolve consciência política, ambiental, cultural, às vezes tudo junto e misturado. É só escolher a vibe que te move a acompanhar os colegas e bora para a rua.

      

Kaburé Maracatu

Um coletivo formado por 29 membros e que iniciou as primeiras atividades em 2016 tá voltando com força neste ano e com uma agenda bem ampla, com atividades de sábado a segunda. O Bloco Kaburé Maracatu teve os primeiros instrumentos doados pelo grupo Maracutaia, do Rio de Janeiro, e a partir da confecção própria de instrumentos, realizada na casa de dona Márcia, matriarca do grupo e orientação espiritual da Iyalorixá Edna de Baru, que é madrinha do coletivo.

O bloco surgiu a partir da demanda existente na região norte do município de Foz do Iguaçu, onde, naquele momento, as atividades ligadas à cultura popular não ocorriam. O desejo de manifestar os diversos sotaques de distintas nações de maracatu também guiou os fundadores do grupo, Izabela Fernandes e Rodrigo Birck, que entenderam que havia uma potencialidade na diversificação musical e na composição do cortejo, elementos que se tornariam diferenciais do grupo. Os participantes realizam estudos de diversas nações de maracatu pernambucanas e, também, tem um trabalho bastante desenvolvido na área de dança de maracatu, trazendo elementos mais contemporâneos neste quesito.

Agenda: Sábado (10), às 18h, no Hotel Selina. Dia 11 (domingo), às 17h, no Carnafalls. Segunda (12), às 20h, na Avenida Brasil

    

Bloco das Martinas

Abram alas, que o empoderamento feminino quer passar. Com o tema confete e luta, o Bloco das Martinas – uma iniciativa do coletivo Batuque Mulher-Foz, idealizado pela estudante Valentina Virgínio – faz uma homenagem à estudante uruguaia Martina Conde Piazza, vítima de feminicídio durante as celebrações do carnaval de 2014, em Foz do Iguaçu. Dessa forma, o bloco promete levar às ruas o debate para combater a violência contra as mulheres, envolvendo questões relacionadas a gênero, transfobia, assédio e feminicídio, tudo de forma irreverente, descontraída, segura e responsável.

"O bloco se propõe a ser um espaço inclusivo, onde homens aliados também são convidados a participar e apoiar a luta pelo fim da violência de gênero", diz Valentina. Considerando essa como uma luta de todos, ela entende que esta inclusão visa quebrar o ciclo de violência, falando não apenas com as vítimas, mas também com os potenciais agressores. Contando com mais de 150 participantes, o bloco também vai distribuir tatuagens temporárias com a campanha "Não é não" – que nacionalmente destacou a importância das relações consensuais durante o Carnaval – e leques informativos contendo canais de denúncia.

Agenda: Sábado (10), às 18h30, na Praça da Paz

    

Afoxé

Matriz de cultura africana também está na essência do Bloco Afoxé, fundado em 2011 pela matriarca Mãe Marina Turinê. O bloco leva o nome da comunidade tradicional Ilê Asé Oju Ogún Fúnmilaiyó e costuma abrir o carnaval da cidade. A estudante Crica Galdino assumiu a função da presidência, em 2021, após o falecimento da fundadora do bloco. Ao longo da trajetória do coletivo na fronteira, o Afoxé sempre contou com a participação efetiva de estudantes da UNILA, inclusive de egressos, em sua composição.

Os afoxés são conhecidos como os candomblés de rua e servem como uma ferramenta que contribui para a diversidade étnico-racial. Os ritmos tocados são originários de várias nações africanas e existem até a atualidade como símbolo de resistência cultural, assim como suas danças. Os integrantes (afoxés) carregam em sua raiz a luta e resistência da população afrodescendente entoando cantos e ritmos, além de danças que o racismo e a discriminação invisibilizou durante séculos de colonização cultural eurocentrada.   

Agenda: Sexta (9), às 17h, na Carnafeira. Sábado (10), às 17h, no Carnafalls. Segunda (12), às 18h, na Avenida Brasil.

    

Amigos da Onça

O Bloco Amigos da Onça se apresenta como uma iniciativa de interessados em alegria, folia e ecologia. É um bloco bem recente, nasceu no ano passado, pouco tempo após o aparecimento de uma onça nas imediações do bairro Vila A. O que une o grupo, de acordo com o professor Fábio Salvatti, é o amor pelo samba. E assim o bloco começou a atrair docentes de vários cursos, que estão envolvidos nas comissões como de manutenção de instrumentos, financeira, administrativa e outras. Além disso, podem participar pessoas externas também.

No último dia 3, o grupo realizou o primeiro “rugido de carnaval”,  com um cortejo da Rua Onça até a Avenida das Araucárias. Durante o evento, os integrantes do bloco fizeram a inauguração simbólica da Praça de la Yaguareté (justamente no local onde realizam os ensaios). Para os participantes, foi um momento de defender as onças e a região onde habitam e saudar as experiências de um grupo diverso formado principalmente por docentes e que veio de longe para ocupar os espaços fronteiriços. Este ano a folia rolou sob a batuta do Mestre Alison.

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