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Vida Universitária

Alojamento é sonho e oportunidade para primeiros moradores

Com 204 estudantes selecionados, unidade abriga os primeiros 36 moradores, que já se consideram uma família em formação constante
publicado: 04/02/2022 17h00, última modificação: 04/02/2022 19h11
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Jesus Leon, Vanessa Nobre, Daniel dos Santos e Jaqueline dos Santos no pátio do Alojamento

Depois de vários anos sendo um sonho para a comunidade acadêmica, o Alojamento da UNILA começa a receber os primeiros moradores. São, até agora, 36 alunos de diferentes regiões do Brasil e de outros 13 países, que começaram a chegar no dia 25 de janeiro. No total, o Alojamento vai abrigar 204 estudantes até agosto deste ano, quando nova seleção será realizada.

Os estudantes compartilham um misto de felicidade, surpresa e admiração pelo prédio que vai servir de abrigo pelos próximos meses e onde as primeiras amizades também começam a ser feitas. A pandemia obriga à restrição do contato entre eles, e é o refeitório o principal ponto de encontro, limitado a poucas pessoas por turno e com todos os cuidados exigidos, como ventilação, uso de máscaras e de álcool.

 

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Jesus Leon, Vanessa Nobre, Daniel dos Santos e Jaqueline dos Santos no pátio do Alojamento

Eles mesmos cozinham suas refeições e, no almoço da última terça-feira (1°), um grupo de moradores juntou os ingredientes para enriquecer o almoço e ainda conseguiu socorrer um colega que acabava de chegar e não tinha o que comer. “Temos de pensar que estamos todos em família. Todo vamos morar no mesmo lugar por um tempo. Temos de nos abraçar”, comenta o venezuelano Jesus Leon, que ingressou na UNILA para cursar Engenharia de Materiais.

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Quando eu consegui o alojamento foi a melhor coisa, porque me deu a segurança de continuar

Jaqueline dos Santos

Esse sentimento também é percebido por Jaqueline dos Santos, de Erechim (RS). “Estou me sentido em casa. Claro, sinto falta de meus pais, meus amigos, mas aqui me senti muito acolhida pelo pessoal”, diz ao comentar que seu principal medo – e o de sua família – era não ter onde morar. “Quando eu consegui o alojamento foi a melhor coisa, porque me deu a segurança de continuar.”

Jaqueline está cursando Antropologia – Diversidade Cultural Latino-Americana, mesmo curso escolhido pela carioca Vanessa Anastácia Nobre. “Está acima da expectativa. Não imaginava que era tanta coisa assim”, diz, comentando a estrutura do Alojamento e a convivência com os colegas.

Oportunidade é um termo usado com frequência por eles ao falarem sobre a vaga de moradia obtida. “Para mim, foi uma oportunidade de sonhar que a gente pode conquistar nossos objetivos. A gente não teria condições de a família bancar para ir para outro lugar. Se tornou uma realização”, comenta Vanessa.

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Não são todas as universidades que abriram as portas para refugiados, mas a UNILA abre as portas e acolhe a gente que é refugiado, estrangeiro

Jesus Leon 

Para Jesus Leon, que vive há seis anos no Brasil na condição de refugiado, essa oportunidade inclui o desafio de ser estrangeiro. “Não são todas as universidades que abriram as portas para refugiados, mas a UNILA abre as portas e acolhe a gente que é refugiado, estrangeiro, independentemente se você fala português ou espanhol. E o alojamento me ajudou muito porque eu não iria ter condições de pagar”, comenta.

Conseguir uma vaga no alojamento, para Daniel dos Santos, significou poder voltar para a cidade onde morou por três meses com a família e que o encantou logo na chegada. O trajeto não foi curto. Ele é de Belém (PA), morou em Manaus (AM) e veio para Foz do Iguaçu acompanhando os pais. Encantado ele também ficou pelo curso de Letras – Espanhol e Português como Línguas Estrangeiras, que começou a cursar no ano passado, em modo remoto.

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Foi muito importante para mim. É como se a porta tivesse sido aberta novamente.

Daniel dos Santos

Sem o Alojamento, Daniel provavelmente teria de parar o curso porque a família não tem condições de mantê-lo em outra cidade. “Estava um pouco desanimado, achando que iria ter de trancar o curso ou transferir para outra cidade, sendo que não era o que eu queria. Quando eu percebi que havia conseguido a vaga eu fiquei tão feliz e seguro de continuar na UNILA”, comemora. “Foi muito importante para mim. É como se a porta tivesse sido aberta novamente. É uma nova oportunidade de me esforçar mais ainda para continuar até o final do curso.”

Concluir o curso de Antropologia também é desejo de Jaqueline. Primeira da família a cursar um curso superior, ela espera ser um exemplo a ser seguido. “Eu me orgulho muito de poder ser o exemplo para minha sobrinha, que tem 3 anos agora e, quando tiver seus 10 anos, vai poder dizer ‘minha tia estudou em universidade federal, está formada e é excelente profissional, porque teve a oportunidade de estar lá’”, diz, com a certeza de que, se depender dela, esse vai ser o futuro que a aguarda daqui a quatro anos.

A inclusão proporcionada pela vaga no Alojamento, para Vanessa Nobre, também está presente em outras áreas. “A gente vê na UNILA a vontade de desenvolver [os estudantes]. Quando eu estudava em instituição privada, manifestei vontade de participar da iniciação científica. O e-mail que eu mandei até hoje não foi respondido. Na primeira oportunidade que eu tive aqui, fui acolhida”, destaca, ao comentar que já está participando de um projeto e de um grupo de pesquisa. “É um sonho que a gente vê que a UNILA põe em prática. Aqui, o que está sendo falado realmente existe.”

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É um sonho que a gente vê que a UNILA põe em prática

Vanessa Nobre

A percepção é dividida por Jaqueline. “Não é uma proposta vazia. Aqui, eles prometeram o alojamento. A gente tem o alojamento. Claro, a gente tem de abrir nossos caminhos para poder liberar para outros colegas, mas o primeiro momento pra gente é a melhor coisa”, diz. “A gente tem essa segurança de poder dizer ‘eu vou conseguir dar esse passo pra frente porque quando eu precisei a Universidade me deu essa oportunidade’.”

Recepção

Além dos quartos e do refeitório, o Alojamento agrega biblioteca, auditório, quadras de esporte, lavanderia e outros ambientes. Todos são mobiliados e oferecem eletrodomésticos e computadores para os habitantes.

A recepção ao estudante começa mesmo antes de sua chegada e é realizada por uma equipe da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), que informa sobre os documentos necessários – a carteira de vacinação contra a Covid-19 é item obrigatório –, horários de atendimento e outros dados. “Quando chegam, a primeira coisa que fazemos é apresentar o Regimento do Alojamento, entregamos uma cópia e eles assinam um termo no qual estão seus direitos e deveres, as condições do quarto e como deve ser devolvido”, comenta Flávia Caroline Correira Valvassori, chefe do Departamento de Gestão de Moradias, da PRAE. Em seguida, é realizado um tour pelas instalações, apresentação do quarto e testagem dos equipamentos.

As informações sobre o Alojamento estão disponíveis no site da UNILA, mas também há grupos de Whatsapp onde são divulgadas informações gerais e pontuais, como as regras para uso dos espaços, medidas de biossegurança para a prevenção da Covid-19 e esclarecimento de dúvidas dos estudantes.

A chegada dos estudantes ao Alojamento está sendo feita aos poucos. “Nós estamos recomendando que eles posterguem ao máximo a entrada até o retorno das aulas presenciais, por conta do aumento de casos aqui em Foz do Iguaçu. Assim, conseguimos colocar um estudante por quarto”, comenta Flávia, destacando que a principal preocupação neste momento é a pandemia. Com um estudante por quarto, há menor risco de contágio e a possibilidade de manter isolado aquele que, eventualmente, estiver doente.

Para ela, que acompanhou a primeira moradia de estudantes da UNILA, ver o alojamento funcionando e recebendo os estudantes é um momento de felicidade. “A gente esperou tanto tudo isso e está indo às mil maravilhas. Está dando tudo certo. Isso é o que eu esperava.”

Paulo Nascimento, servidor do Departamento de Atendimento à Saúde e que está auxiliando na recepção aos moradores, diz que a surpresa com o local é o que fica mais evidente quando os estudantes chegam. “Eu particularmente percebo que eles ficam surpresos quando veem tudo novinho. Tudo arrumado. Um espaço novo, bem dividido, com segurança, onde podem fazer novas amizades. Eles ficam bastante felizes.”

Ele também destaca a função social do Alojamento. “Era uma necessidade da assistência estudantil ter um alojamento e o desejo dos servidores é que tudo dê certo. E até agora está dando tudo certo. E o Alojamento está cumprindo sua função social. Os alunos estão gostando. A energia está boa.” 

 

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O refeitório é o ponto de encontro dos estudantes

 

 

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