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Apresentação

publicado 02/07/2019 11h25, última modificação 02/07/2019 11h25
Universidade Restaurativa é uma iniciativa embrionária, com o objetivo de auxiliar a universidade nos esforços por uma ambiência de cultura de paz

O projeto consiste na oferta de um conjunto de atividades institucionais, de ambientação, de formação e de sensibilização, voltadas à educação ética, à prevenção e ao acolhimento de conflitos, em prol da construção de uma cultura de paz no ambiente universitário. Por meio da aproximação com temas centrais que privilegiam as práticas integrativas em saúde e as práticas restaurativas como métodos autocompositivos para solução de controvérsias, estima-se seja possível fortalecer as relações humanas no dia a dia da universidade.

O diálogo é o coração deste projeto. Através dele será possível o desenvolvimento da empatia, condição necessária para o reconhecimento mútuo como iguais e superação das fronteiras incutidas e mitificadas por rótulos, relações de vínculo e posições hierárquicas. Os ciclos de ações propostas tem um caráter vivencial, de experimentação do diálogo como mecanismo de autonomia e dignidade no intermeio das relações compartilhadas com o outro, no cotidiano da universidade.

 

 

E um tribuno disse: “Fala-nos da Liberdade”.
E êle respondeu:
Às portas da cidade e em vossos lares, eu vos vi prosternar-vos e adorar vossa própria liberdade,
Como escravos que se humilham perante um tirano e glorificam-no embora êle os destrua.
Sim, na alamêda do templo e à sombra da cidadela, tenho visto os mais livres entre vós carregar sua liberdade como um jugo e um grilhão.
E meu coração sangrou dentro de mim; pois só podereis libertar-vos quando até mesmo o desejo de procurar a liberdade se tornar um jugo para vós, e quando cessardes de falar da liberdade como de uma meta e de um fim.
Sereis, na verdade, livres, não quando vossos dias estiverem sem preocupação e vossas noites sem necessidade e sem aflição,
Mas, antes, quando essas coisas apertarem vossa vida e, entretanto, conseguirdes elevar-vos acima delas, desnudos e desatados.
E como vos elevareis acima de vossos dias e de vossas noites se não quebrardes as cadeias com que, na madrugada de vosso entendimento, prendestes vossa hora meridiana?
Na verdade, o que chamais liberdade é a mais forte destas cadeias, embora seus anéis cintilem ao sol e vos deslumbrem.
E que é que quereis rejeitar para serdes livres, senão fragmentos de vós próprios?
Se é uma lei injusta que pretendeis abolir, lembrai-vos de que esta lei foi escrita por vossa própria mão em vossa própria testa.
Não conseguireis extingui-la, queimando vossos códigos nem lavando as faces de vossos juízes, embora despejeis o mar por cima delas.
E se é um déspota que quereis destronar, verificai primeiro se seu trono erigido dentro de vós está destruído.
Pois, como pode um tirano dominar os livres e os altivos, se não houver tirania na sua própria liberdade e vergonha na sua própria altivez?
E se é uma preocupação que quereis rejeitar, essa preocupação foi escolhida por vós mais do que a vós imposta.
E se é um temor que precisais dissipar, o centro dêsse temor está em vosso coração e não na mão do temido.
Na verdade, todas as coisas movem-se dentro de vós em constante meio-apêrto, as desejadas e as receadas, aquelas que vos repugnam e aquelas que vos atraem, aquelas de que fugis e aquelas que procurais.
Essas coisas movem-se dentro de vós como luzes e sombras em pares estritamente unidos.
E quando a sombra desvanece e se dissipa, a luz que se demora torna-se a sombra de uma outra luz.
E desta forma, quando vossa liberdade perde seus entraves, torna-se um entrave para uma liberdade maior.”
Gibran Khalil Gibran - a Liberdade (O Profeta)