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Dia Internacional Contra a #LGBTfobia

publicado 17/05/2018 00h00, última modificação 12/01/2019 00h14
Neste 17 de maio, Dia Internacional Contra a #LGBTfobia, trazemos o depoimento de estudantes da UNILA sobre a questão da diversidade sexual e de gênero.

“Falar sobre identidade me traz ares de resistência e também visibilidade. Convenhamos, partindo do pressuposto de que todas as pessoas são universos que sustentam mundos inteiros, tendo como projeção exterior nosso mundo interior, subjetivo, limitaríamos nós mesmos a meras classificações sólidas tesas e entalháveis? Munidos de diversos e infinitos potenciais, não bastando nem a oralidade como fonte de expressão, limitaria você sua identidade a meras classificações impostas e construídas? A palavra da vez é desconstrução. Nos mergulham nesse grande plasma antes mesmo de virmos ao mundo. Qual foi a reação de seus pais sobre seu ‘sexo’ em uma situação de ultrassonografia? Nem as cores escapam, rosa para menina, azul para menino. Um garoto me perguntou na rua, um dia desses, se eu era menino ou menina. Respondi que sou o OU". Wall Assis, estudante de Letras, Artes e Mediação Cultural (LAMC).

Neste 17 de maio, Dia Internacional Contra a #LGBTfobia, trazemos o depoimento de estudantes da UNILA sobre a questão da diversidade sexual e de gênero. Numa sociedade em que os crimes de ódio contra LGBTs (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) aumentam a cada ano, é necessário dar visibilidade a essas representações e lutar pelo respeito e pelo direito às suas existências.

Foi em 17 de maio de 1990 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID). A partir de então, a data ficou marcada como o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia, com o objetivo de conscientizar a população sobre a luta contra a discriminação de homossexuais, bissexuais, transexuais e transgêneros.

 

Como você se identifica?

 

 

 

“Identifico-me como um transitante de gêneros, amante de si mesmo! Nós nascemos em um mundo que nos impede de florir, e o custo para os rebeldes é a vida. Limitam o direito de respirar à carne: a estética cristã não nos define, mas por que somos mortos em nome de Deus? Gritamos: queremos viver!" André Teodoro, estudante de Letras, Artes e Mediação Cultural (LAMC).

"Faz dois anos que me assumi lésbica, pois até então só dizia que não pertencia ao mundo heterossexual. Mesmo assim, tentava me encaixar nessa sexualidade, para agradar os outros e não me sentir sozinha, talvez por falta de representatividade e segurança. Foi algo que se tornou complexo dentro de mim, como questões que rebatiam em um muro na minha cabeça. Lutar contra a homofobia todos os dias, contra a violência física e psicológica, contra caixas que criam para tentar nos encaixar e silenciar. A representatividade é a visibilidade que me deu força para lutar e ser reconhecida como sou, enfrentando pré-julgamentos de desconhecidos e familiares". Sophia Isabelly, estudante de Antropologia. 

 

 

“Identifico-me como homem homossexual, que acredita que precisamos lutar cada vez mais por espaço, onde possamos viver a liberdade, o amor e a diversidade, tendo a segurança de que um dia seremos livres, e não mais estáticos, no País em que ajudamos a construir”. Diego Carvalho, participante do projeto de extensão Cote'cói.

 

 

“Identifico-me como sujeito político que manifesta arte através de minha própria existência, não me sujeitando a meras classificações que limitam a vastidão de potenciais que são intrínsecos a nossa vida. Descolo-me de qualquer padrão, pois aqueles impostos perversamente não me cabem, TRANSbordo qualquer classificação”. Wall Assis, estudante de LAMC.

 

 

"Como uma pessoa homossexual, estou suscetível a sentir a homofobia na pele todos os dias. É difícil imaginar que há pessoas que me odeiam e nem me conhecem. Isso me entristece. O preconceito mata alguém todo dia, seja literal ou figurativamente, a homofobia te mata por dentro''. Eduarda Martins, estudante de Biotecnologia.

Conheça alguns conceitos-chave elaborados pela Comissão de Equidade de Gênero da UNILA, para entender e defender a causa LGBT:

NOME SOCIAL - O uso se dá por parte de pessoas cujo nome de registro civil não reflita adequadamente sua identidade de gênero. É o nome por meio do qual a pessoa se autodenomina e escolhe ser identificada na comunidade e em seu meio social, uma vez que o nome que lhe foi dado oficialmente não condiz com sua identidade de gênero. Aplica-se às pessoas travestis, transexuais e transgêneros, que podem ser binárias ou não binárias.

IDENTIDADE DE GÊNERO - Gênero é uma construção social do que é ser mulher e/ou homem em nosso tempo. A maneira como interagimos ao longo de nossa vida, a partir das definições de gênero acerca do que somos, é o que chamamos de identidade de gênero. A forma como nos reconhecemos e gostamos de ser reconhecidos socialmente pode ser masculina, feminina, a mistura de ambas ou nenhuma delas especificamente. Esse reconhecimento se dá independentemente do sexo biológico (fêmea, intersexo ou macho) ou da orientação sexual afetiva (homossexual, heterossexual, bissexual ou assexual).

TRANS - Termo muitas vezes utilizado de forma "guarda-chuva" que pode abarcar denominações identitárias como travesti, transexual e transgênero, podendo ser binárias ou não binárias. Essas identidades, embora com diferentes origens e formas de se inserirem na luta contra a discriminação, são parte daquelas pessoas que não se identificam com o sexo indicado no nascimento, com base nas definições biológicas (pênis=homem e vulva=mulher). Desse modo, pessoas trans são aquelas cujo sexo biológico não define necessariamente seu gênero, podendo assim existir pessoas nascidas no sexo masculino mas que se identificam e constroem uma identidade feminina, e vice-versa. Algumas dessas pessoas não buscam enquadrar-se em um padrão exclusivo de mulher ou de homem e, dessa forma, preferem ser identificadas fora do sistema binário de gênero. Nesse caso, denominam-se pessoas trans não binárias.

LGBTFOBIA – Termo utilizado para descrever aversão e/ou rejeição a pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais e transgêneros.

HETERONORMATIVIDADE - Conjunto de normas e regras que sanciona a heterossexualidade e marginaliza as orientações sexuais distintas a ela. A heteronormatividade também celebra a cisgeneridade como única possibilidade de identificação e de conformação de gênero, de modo a excluir, segregar e ridicularizar as pessoas que reivindicam identidades travestis, transexuais e transgêneros – binários ou não binários.

CRIME DE ÓDIO CONTRA LGBTs - Os crimes de ódio variam desde uma agressão verbal (xingamento, injúria etc.) até os crimes contra a vida (homicídio ou tentativa de homicídio) em decorrência da orientação sexual (lésbicas, gays e bissexuais) ou da identidade de gênero (travestis, transexuais, transgêneros) das pessoas.

HOMOFOBIA/TRANSFOBIA INSTITUCIONAL - As violências que acometem a população LGBT podem ser praticadas por indivíduos e/ou grupos, motivados por preconceitos enraizados no imaginário social, mas também podem ser praticadas por instituições como a escola e a universidade, sobretudo quando estas contribuem para a cultura da exclusão e perseguição e quando as práticas sociais e as políticas públicas continuam privilegiando a heteronormatividade como o “modelo correto ou normal” de manifestação sexual afetiva e de pertencimento identitário.

TRANSFOBIA – Termo utilizado para descrever o preconceito e a discriminação contra pessoas ou grupos com identidades de gênero travestis, transgêneros e transexuais, também denominados população trans. Diferentemente do que ocorre com a prática homofóbica, que está associada à discriminação pela orientação sexual (lésbicas, gays e bissexuais), a transfobia relaciona-se à identidade de gênero reivindicada pela pessoa. Segundo pesquisas e estudos, o Brasil é o país que registra o maior número de crimes de ódio (homicídios) contra pessoas trans no mundo.

"Falar de Identidade é como descrever uma escultura que respira. Viva. Pois vamos moldando, ao passo que sopramos para dentro o ar que nos traz vida. Moldar a matéria da arte, que seria matéria da vida, é fazer aqui poesia, que emana de dentro, que me ascende em realidade de planar sobre desertos de perspectivas. O nome disso tudo? Estado que irradia luz intensa, potencialidades em forma de cor, temperatura, texturas... Só precisamos dançar, para em leveza compenetrar esta música, a da existência". Wall Assis.

 

Esta iniciativa faz parte da campanha guarda-chuva "UNILA pela Diversidade". A campanha, criada em 2016, busca contemplar assuntos referentes ao respeito às diversidades linguísticas, identitárias, sexuais, de gênero e culturais presentes em nossa Universidade e no território de fronteira onde estamos localizados. Além disso, a campanha é desenvolvida com foco na colaboração e no amplo alcance, com o objetivo de integrar pessoas, grupos identitários e minorias socioculturais da Instituição e da cidade. “UNILA pela Diversidade” abriga uma variedade de linguagens, textos, vídeos, fotos e múltiplas mídias, entre meios impressos e on-line.